Archive for the ‘demonstrações contábeis’ Category

Uma revolução silenciosa na contabilidade

fevereiro 13, 2008

Uma revolução na contabilidade está sendo preparada pelo Fasb. A proposta irá mudar radicalmente o formato das demonstrações, contemplando os seguintes itens:

a) Mudança no Balanço Patrimonial e na Demonstração do Resultado para permitir a existência de três categorias já usadas no fluxo de caixa (operação, financiamento e investimento). Uma das conseqüências é que a DRE será muito mais detalhada (ou mais complicada)

b) Acaba o lucro líquido – a proposta é omitir o lucro líquido da DRE. Um membro do Fasb chegou a afirmar que “se o lucro líquido permanecer, isto significará que nós falhamos”. Na realidade, a DRE terá novos subtotais. Entretanto, existe a discussão sobre a possibilidade da empresa fornecer a informação necessária para que cada pessoa possa calcular o lucro líquido da empresa.

c) Fluxo de caixa pelo método direto – Atualmente é opcional a escolha do método e a maioria escolhe o método indireto. Haveria a obrigação do método direto, que pode ser muito mais trabalhoso e complicado para certos tipos de empresas. Existe uma proposta do uso de um método híbrido (já em uso na Austrália e Nova Zelândia)

d) Conciliação entre o fluxo de caixa e a DRE, contemplando itens como “fluxo de caixa que não afeta o lucro”.

e) Detalhamento maior nas operações de empresas que atuam em mais de um setor.

Uma pesquisa entre executivos mostra, no entanto, resistências: 17,2% são favoráveis a mudança no formato; 35,3%, possivelmente e 44,8% não. A maioria (66,4%) é contrária a eliminação da linha do lucro líquido, assim como a exigência do método direto (67,3%).

Problemas no controle interno

janeiro 30, 2008

Em “Determinants of Weaknesses in internal control over Financial Reporting”, Jeffrey Doyle, Weili Ge e Sarah McVay (Journal of Accounting &Economics) procuram estudar a questão do controle interno nas organizações.

Usando os textos preparados pelas entidades, os autores verificaram existir uma relação entre o tamanho da empresa e o que é relatado nas demonstrações publicadas.

Segundo os autores, fraquezas nos controles internos são mais prováveis em empresas menores, mais jovens, financeiramente fracas, com rápido crescimento e/ou sob reestruturação.

Ao relacionarem com um indicador de governança, os autores encontraram que empresas com problemas neste sentido possuem problemas com o reconhecimento da receita.

É interessante notar que esta é uma pesquisa que mescla o quantitativo com o qualitativo, algo raro em artigos publicados na área de contabilidade.

Mais evidenciação

janeiro 10, 2008

Segundo o Financial Times (Companies could be forced to reveal off-balance sheet vehicles, Jennifer Hughes, 9/1/2008, Europe Ed1, Page 17) o Iasb estuda a possibilidade de exigir das empresas um balanço patrimonial paralelo (a “parallel” balance sheet) para explicar melhor os instrumentos “fora de balanço”. Os itens “fora de balanço” são alternativas que entidades encontram e que terminam por não revelar os seus riscos

Recentemente algumas instituições financeiras (Citigroup e HSBC) tiveram problemas com estes itens.


Some have suggested a form of parallel balance sheet on which entities such as SIVs could be explained in greater detail and the numbers would reconcile directly with those on the main balance sheet. This would mainly affect financial institutions.

Some details of off-balance sheet holdings are disclosed in footnotes to the accounts, but these are scattered throughout long reports and in many cases do not clearly match the actual balance sheet numbers, according to experts. The issue is due to be discussed by the board in the coming months and the full proposals have not yet been drafted. The parallel balance sheet is one possible option.

“At this stage, we’re not trying to zero down to an answer. We’ll be discussing this with a large number of interested parties,” said Sir David Tweedie, head of the IASB. “What we’re trying to do is simplify the accounting so banks can say, ‘if it all blows up, this is what we face, but here are the reasons it won’t’. That way, people have the information.”

Auditors are conducting year-end audits of many of the biggest banks and have warned they will be paying particular attention to off-balance sheet activity and fair-value accounting – the practice by which banks mark their assets to current market prices.

Agreeing fair values has been made tougher this year by the complexity of the instruments and the drying-up of markets.

Os melhores

outubro 18, 2007

Abrasca divulga finalistas ao prêmio de melhor relatório
Gazeta Mercantil – 18/10/2007

A 9ª Edição do Prêmio Abrasca Melhor Relatório Anual, teve 84 inscritos. Os vencedores serão conhecidos no próximo dia 24, em evento promovido na Bovespa. Ontem a Abrasca – a associação que representa 85% do valor de mercado da Bolsa, de US$ 1 trilhão – divulgou a lista dos finalistas. Na categoria companhias abertas os escolhidos foram: Acesita; ALL – América Latina Logística; Aracruz Celulose; Banco Bradesco; Banco do Brasil; Banco Itaú Holding Financeira; Brasil Telecom; Cemig, Coelce; CPFL; CVRD; Elektro Eletricidade ; Embraer; Energias do Brasil S.A; Gerdau; Iochpe Maxion; Perdigão S.A; Petrobras; Sadia; Suzano Papel e Celulose S.A e VCP.

Na categoria empresas fechadas classificaram-se para a final os Relatórios da BM&F – Bolsas de Mercadorias e Futuros; Banco ABN Amro Real; Banco Santander; Camargo Corrêa Desenvolvimento Mobiliário; Camargo Corrêa S.A; Mapfre Seguros; Petroquímica Triunfo S.A e Serasa S.

Governança também na internet

fevereiro 16, 2007

Segundo notícia da Gazeta (16/02/2007, Estudo aponta melhores sites em governança, Aluísio Alves) o banco Itaú foi considerado a empresa brasileira, de uma amostra de 47 com ações negociadas em bolsa, que melhor informa seu desempenho na internet. O estudo é da consultoria espanhola Management & Excellence (M&E) e da Grow Associates. Em seguida temos a Petrobrás, o Bradesco, a Votorantim e a Aracruz. O lanterna é o Submarino.

Os autores do estudo explicam que as notas não se referem às práticas em si, mas à forma como as informações sobre esses temas são disponibilizados pelas companhias em seus sites na internet.

Petrobrás tem lucro de R$25,9 bilhões

fevereiro 14, 2007

Lucro de R$ 25,9 bi da Petrobrás em 2006 é recorde latino-americano

Resultado é 9% maior do que o de 2005, mas mercado financeiro esperava desempenho ainda melhor

Nicola Pamplona, RIO

A Petrobrás teve lucro de R$ 25,919 bilhões em 2006, o melhor resultado da história de empresas latino-americanas. O valor é 9% superior ao verificado pela companhia no ano anterior e reflete os melhores preços de venda de petróleo e derivados, além do aumento da produção nacional de petróleo. A estatal anunciou que vai distribuir R$ 7,9 bilhões a seus acionistas, dos quais 32,2% – ou R$ 2,54 bilhões – serão pagos à União.

(…) Apesar da soma gigantesca, o resultado foi recebido com frieza pelo mercado financeiro, que esperava desempenho ainda melhor, principalmente no quarto trimestre. As ações da estatal fecharam o pregão de ontem na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) com alta de 1,8%, abaixo do índice Bovespa (2,82%).

“A despeito das vendas fortes, com contribuição cada vez maior do mercado internacional, os custos situaram-se acima do esperado, o que comprometeu o resultado da companhia”, avaliou o analista Felipe Cunha, da Brascan Corretora, em relatório a clientes. A opinião é a mesma dos analistas da Ativa Corretora, que citam ainda o forte aumento de 28% das despesas corporativas entre os fatores negativos do balanço.

Fonte: Estado de S. Paulo, 14/02/2007

Itaú lucra menos

fevereiro 14, 2007

Com BankBoston, Itaú lucra menos

Amortização de ágio faz ganho cair 18%, para R$ 4,3 bi; sem operação, resultado seria de R$ 6,2 bi, mais um recorde

Leandro Modé

A compra do BankBoston teve forte impacto sobre os resultados de 2006 do Banco Itaú. O lucro, por exemplo, caiu 18%, para R$ 4,3 bilhões, por causa da amortização integral do ágio pago pelas operações do banco americano no Brasil, Chile e Uruguai. Excluído esse efeito extraordinário, os ganhos sobem 13,8% em relação a 2005, para o recorde de R$ 6,2 bilhões.

Outras rubricas do balanço do Itaú também foram afetadas pela aquisição. A rentabilidade sobre o patrimônio líquido médio recuou de 35,3% em 2005 para 22,7% no ano passado. O retorno sobre o ativo médio caiu de 3,6% para 2,4% no período.

“O investimento que fizemos (no BankBoston) ainda não deu retorno”, reconheceu Roberto Setubal, presidente do Itaú. Ele ressaltou, porém, que os resultados positivos já aparecerão em 2007 e lembrou que o impacto já era esperado pelo mercado. “Já havíamos divulgado isso em setembro”, disse ao Estado. As ações preferenciais do Itaú fecharam estáveis na Bolsa de Valores de São Paulo, enquanto os papéis ordinários caíram 0,13%.

Setubal explicou que em março os sistemas operacionais dos dois bancos serão “tombados”, ou seja, as duas instituições passarão a operar na mesma plataforma tecnológica. “Isso resultará em uma redução importante dos custos com o Boston.”

De acordo com analistas, o que ocorreu com o balanço do Itaú de 2006 é normal em casos como este. “O BankBoston é um ativo relevante para ser absorvido, mesmo por um banco grande como o Itaú”, observou Marcel Artoni de Marco, analista do Instituto de Ensino e Pesquisa em Administração (Inepad). Em março do ano passado, pouco antes da venda para o Itaú, o BankBoston era o 13º maior banco do Brasil, com ativos totais de R$ 23 bilhões.

Na avaliação de de Marco, os números do Itaú foram muito bons, apesar do BankBoston. Um levantamento realizado por ele mostra que as receitas brutas da instituição cresceram 46%, bem acima dos 13,4% do Bradesco, por exemplo.

Fonte: Estado de S. Paulo, 14/02/2007

Correções das demonstrações continuam aumentando

fevereiro 13, 2007

Conforme reportagem do The Wall Street Journal (12/02/2007, Restatements Still Bedevil Firms), o número de correções(refazimentos) das demonstrações financeiras no mercado norte-americano aumentou em 2006, continuando uma tendência desde 2001. No ano passado foram 1.876 casos.

Entretanto, entre as grandes empresas o número de correções diminuiu pela primeira vez, de 242 (em 2005) para 196, no ano passado. Para Mark Cheffers, da AuditAnalytics, fonte dos dados e entrevistado do jornal, talvez a redução nas grandes empresas seja conseqüência dos melhores controles internos.

Nota do ano

janeiro 8, 2007

O sítio Footnoted publica, diariamente, comentários sobre notas explicativas de diversas empresas norte-americanas. Por ser um sítio especializado e apresentar notícias novas e interessantes, o Footnoted é um sucesso na imprensa especializada, tendo sido várias vezes escolhido um dos melhores blogs.

Recentemente o blog escolheu a melhor notícia publicada em 2006: Aaron´s Rent, que gastou 1 milhão de dólares para ensinar os filhos do executivo Bill Butler a dirigir carros de corrida.

Problemas contábeis na Nortel

janeiro 4, 2007

Na Nortel, um executivo testa seus limites
3/01/2007
Por Joann S. Lublin
The Wall Street Journal

TORONTO — Mike Zafirovski, o novo diretor-presidente da Nortel Networks Corp., levou um tremendo choque quando se reuniu com seu diretor financeiro no início de março último. Ele foi informado que a Nortel teria de refazer suas demonstrações financeiras pela terceira vez desde 2003.

Nas três noites anteriores à data marcada para dar a notícia a analistas de Wall Street, Zafirovski não conseguiu dormir. A companhia havia dito que tinha arrumado sua bagunça contábil fazia mais de um ano. Agora, “íamos ter de dizer de novo: ‘Fizemos uma trapalhada'”, lembra ele. Zafirovski estava preocupado com a reação de clientes, com a preservação de linhas de crédito e em defender as ações da Nortel na bolsa. Ele sabia que sua margem de manobra era limitada e sua credibilidade, frágil.

Zafirovski havia chegado à Nortel em novembro de 2005 com planos ambiciosos de ressuscitar a empresa de equipamentos de telecomunicações. Ele trazia fortes credenciais: 25 anos de ascensão na hierarquia da General Electric Co., seguidos de 5 anos na Motorola Inc., onde chegou ao posto número 2. Quando a Motorola contratou um diretor-presidente de outra companhia em 2003, Zafirovski decidiu chefiar outra banda.

Mas a presidência executiva acabou se provando um desafio bem maior do que ele jamais esperava. Sempre aparecem problemas inesperados: novos erros contábeis, processos na Justiça que ameaçam quebrar a empresa, investidores desiludidos, candidatos a emprego titubeantes e empregados descontentes. Zafirovski tem de lidar com tudo isso sem os ricos recursos da GE. A Nortel está às voltas com sistemas internos imperfeitos, uma grande burocracia interna e uma classificação de risco que deixa seus títulos de dívida no grau de investimento especulativo.

Com isso ele acabou trabalhando cem horas por semana, muitas vezes com não mais que quatro horas de sono à noite. Magro e alto, com penetrantes olhos azuis e um jeito de falar curto e grosso, Zafirovski, de 53 anos, é um competidor aguerrido que completou o difícil triatlo Ironman e oito maratonas. Fã de um mantra dos chefes da GE, o “otimismo à força”, ele está sempre pra cima. Ainda assim, as incessantes demandas e a exaustiva agenda de seu novo cargo estão tendo um impacto. “Tenho sido exigido além do que julgava ser capaz”, observa.

Desde que entrou para a Nortel, Zafirovski tem viajado entre a casa e o trabalho, morando em Toronto durante a semana e voando nas noites de sexta-feira para Lake Forest, no Estado americano de Illinois, para ver sua mulher e o mais novo dos três filhos do casal. E embora tenha ido adiante com uma viagem familiar de férias uma semana depois da correção dos balanços, ele passou metade do tempo ligando para clientes e respondendo a emails.

Perto de completar um ano no cargo, Zafirovski — natural da Macedônia e que mudou com os pais para os Estados Unidos quando tinha 16 anos — viu que a falta de sono estava tendo um impacto. “Eu estava me arrastando no fim do dia”, diz ele, reconhecendo que quase cochilou durante algumas reuniões. Ele começou a se obrigar a um mínimo de cinco horas de sono.

Dia 16 de novembro, um ano e um dia depois de começar no emprego, Zafirovski refletiu sobre sua gestão até o momento. “É difícil ter uma idéia de todas essas pressões e expectativas se você nunca passou por elas”, reconheceu, num raro distanciamento de seus tradicionais comentários positivos.


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