Archive for abril \29\UTC 2006

Frase

abril 29, 2006

Frase:

“Vai na contabilidade: tem um item chamado móveis e utensílios e o Zagallo está lá”

Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol, brincando que o coordenador técnico da Seleção já foi incorporado aopatrimônio da entidade

Anúncios

Complexidade dos Impostos e seu Custo

abril 29, 2006

Gary Becker é um renomado economista norte-americano, famoso por defender a análise custo-benefício para explicar as razões de um crime.

No dia 16, Becker escreveu no seu blog um lamento pelo fato de estar, ele e sua esposa, dedicando horas na preparação do seu imposto de renda. Becker aproveitou para fazer alguns cálculos sobre o custo das horas dispendidas pelo investidor norte-americano para fornecer informações para seu fisco.

Segundo Becker o custo é alto. Sua estimativa fala em 2.6 bilhões de horas – estimativa conservadora no seu entender – para preparar as declarações. Quando se compara com a receita fiscal esse custo fica mais elevado ainda.

Ainda bem que isso ocorre nos EUA…

Livro na Era Digital

abril 27, 2006

Quando Luca Pacioli publicou seu livro de contabilidade a imprensa tinha acabado de ser criada por Gutemberg. Estamos vivendo uma época de transição entre o conteúdo impresso para o conteúdo digital. Qual seriam as mudanças no conteúdo didático da forma como conhecemos?

Acredito que essa alteração tecnológica terá dois impactos significativos: na forma como divulgamos o conhecimento e no seu conteúdo.

Engana-se que pensa que a era digital é somente uma transposição do conteúdo impresso para o computador. Na realidade a própria essência do conhecimento transmitido deve-se alterar com essas mudanças tecnológicas.

Nos primórdios, o conhecimento era dado por uma obra impressa e só. Hoje, um livro didático é acompanhado por transparências, planilhas (depende da área) e eventualmente documentos adicionais em formato para ser lido por um editor de texto.

A produção de um conhecimento nos dias de hoje vem acompanhado de um pacote de conteúdos a disposição do cliente. Uma obra de primeira linha num país desenvolvido possui uma home-page onde os materiais adicionais estarão disponíveis. Além disso, a home-page torna-se um canal de acesso do leitor/consumidor ao produto. Em certas obras impressas já existe explicitamente uma citação a home-page, incentivando o leitor a consultá-la.

Além disso, um autor pode contar também com o Blog, com plataformas educacionais (como Hot Potatoes), com chat e comunidades virtuais.

Em outras palavras, a tecnologia está mudando a forma como o conteúdo está chegando ao aluno. Mas também está alterando o próprio conteúdo.

Com o rápido acesso ao mundo e suas notícias é possível construir rapidamente estudos de casos atuais, aumentar a agilidade com que um conhecimento chega ao aluno (um nova lei pode estar junto ao leitor instantes depois de sua aprovação, com comentários sobre seus efeitos sobre a contabilidade financeira, por exemplo), possibilitar que em sala de aula o professor possa ter o apoio da internet, utilização de informações mais próximas à realidade, aumento no dinamismo dos exercícios e dos exemplos utilizados entre outros fatores.

Ou seja, não é somente a tecnologia que está mudando, mas também o seu conteúdo. Isso significa que novos autores estão surgindo, mais adaptados as novas tecnologias. Esses autores provavelmente saberão utilizar de forma mais efetiva todas essas ferramentas. Ou, pelo menos, terão apoio de uma equipe que possa ajudar a criar conteúdos para os diferentes meios de propagação do conhecimento.

E isso é ótimo para todos nós.

Inimigo do Planeta

abril 27, 2006

Paul Krugman é um dos economistas mais influentes no mundo. Candidato ao Nobel (serei sincero: não sei a razão dessa indicação) tem aparecido constantemente nos jornais. Num dos artigos publicado no NY Times (que eu saiba, não traduzido para o português), Krugman escreveu: “O inimigo do Planeta”. Engana-se que apostou em Bush ou algum radical do momento.

A figura atende-se pelo nome de Lee Raymond, ex-chief executive da Exxon Mobil. Raymond recebeu $686 milhões em 13 anos, mas não é esse o motivo da ira de Krugman. A razão é que Raymond tornou-se inimigo do planeta pela postura em relação as alterações climáticas. Raymond diz acredita que nada está ocorrendo no mundo com respeito ao clima. A ciência está errada. Os cientistas estão errados.

Raymond, e outros executivos, criaram a Global Climate Coalition, com o propósito de apoiar a indústria do petróleo e seus interesses. Quando as pesquisas tornaram-se mais evidentes, empresas como a BP e a Shell deixaram essa entidade. A Exxon decidiu lutar contra a ciência, nas palavras de Krugman.

Krugman acredita que a imprensa tem dedicado espaço demais a pesquisas controversas, favoráveis as empresas de petróleo.

O interessante é que observei o comportamento do mercado (preço das ações) da Exxon e comparei com a Shell e BP. Minha análise foi no “olhometro” mas não notei diferença. Talvez o mercado não acredita que a postura da Exxon seja prejudicial no futuro.

Os ecologistas podem mudar isso: boicote pode resolver.

O que fazer com o dinheiro que não é seu?

abril 27, 2006

Um dos principais problemas de uma empresa moderna é o fato de que os objetivos de um administração podem não ser o melhor para seus acionistas. Esse dilema é denominado pela ciência de conflito de agência.

Os exemplos são inúmeros. No Brasil não temos ainda uma cultura que defenda, de forma integral, o princípio da entidade. Talvez por essa razão seja difícil perceber esse conflito no país. Em outros países, onde o mercado é mais desenvolvido, esse problema geralmente é noticiado.

Tomei três exemplos desses problemas apresentados pelo sítio Footnoted, especializado na parte narrativa das demonstrações financeiras:

a) A 1-800 Contacts pagou ao seu executivo US$12 mil por ano para “serviços domésticos”. O relatório não é claro se esse pagamento é de uma babá ou um mordono ou um caseiro.

b) A WSFS Financial pagou para seus executivos serviços de planejamento financeiro sob a justificativa que era para encorajar hábitos pessoais na área financeira. Dois detalhes: os executivos são ricos; e a empresa atua na área financeira e provavelmente os executivos deveriam ser especialistas na área.

c) A Federated Department Stores deu aos executivos “desconto na compra de mercadorias”. Não informa qual desconto.

Atuária

abril 25, 2006

Um fazendeiro pergunta a um atuário:

– Quantas cabeças de gado tem na minha fazenda?

– 1.007, responde o atuário.

Impressionado com aquela precisão, o fazendeiro questiona como o atuário chegou nesse número.

– Simples, nesse curral tem sete. Naquele, aproximadamente mil.

Famosos que mais Faturam

abril 25, 2006

Segundo a revista Adweek, e divulgado no sítio Blue Bus, os famosos norte-americanos que mais faturam com a propaganda são:

1. Catherine Zeta-Jose – TMobile – 20 milhões
2. Angelina Jolie – St John – + 12 milhões
3. Nicole Kidman – Chanel no. 5 – 12 milhões
4. Jessica Simpson – Guthy-Renker – 7.5 milhões
5. Gwyneth Paltrow – Estee Lauder – + de 6 milhões
6. Charlize Theron – Dior – 6 milhões
7. Julia Roberts – Gianfranco Ferré – 5 milhões]
8. Brad Pitt – Heineken – 4 milhões
9. Scarlett Johansson – L´Oreal – 4 milhões
10. Penelope Cruz – L´Oreal – 4 milhões

Observem o poder da mulher…

A Pirataria é interessante para as Empresas?

abril 25, 2006

Uma reportagem de 9 de abril do Los Angeles Times questiona se a pirataria não seria interessante para algumas empresas.

Segundo a Microsoft, usas perdas com a pirataria representam $14 bilhões no último ano. Ou seja, muito lucro deixou de ser obtido com a pirataria. Apesar dessa empresa gastar milhões de dólares no combate da pirataria, alguns especialistas argumentam que ela se beneficia também.

Nos países em desenvolvimento uma grande maioria dos usuários utilizam produtos piratas. A proliferação de cópias piratas – em especial dos produtos da Microsoft – pode ser interessante no futuro, quando o mercado estiver maduro e as pessoas/empresas começarem a comprar programas legalizados. A escolha será pelos produtos já conhecidos, da Microsoft. Segundo a reportagem, isso denomina-se network effect. Segundo Hal Varian, “uma vez usado um produto, você quer continuar usando”. Mesmo com a pirataria, a Microsoft teve um lucro de $12 bilhões para uma receita de $41.4 bilhões em 2005. É claro que a empresa prefere os produtos legalizados, como a mesma tem afirmado continuamente.

O país com maior índice de pirataria – o Vietnam – tem a maior empresa de software a Microsoft. Nos EUA, o país com menor índice, em 1994 era de 31%; em 2004 o índice caiu para 21%.

Custo de um Deputado

abril 25, 2006

Um artigo interessante publicado no sítio Contas Abertas traz o custo de um Deputado. Observem que esse custo está subestimado pois a autora da reportagem deixou de considerar o valor da previdência. Veja a reportagem:

Quanto custa um deputado federal?

A democracia não tem preço. No momento, porém, em que a Câmara dos Deputados patrocina a absolvição de nove deputados envolvidos com o mensalão, em nítido confronto de opinião com a sociedade brasileira, ela torna-se alvo de profundas críticas, sobretudo no quesito “gastos”.

Só o custo de cada deputado federal (salário e estrutura disponibilizada), hoje, é de aproximadamente R$ 100.000,00 por mês. Além do salário de R$ 12.847,20 (15 a 19 vezes por ano), os parlamentares contam ainda com a verba de gabinete (R$ 50.818,82), as verbas indenizatórias (R$ 15.000,00) e mais R$ 3.000,00 de auxílio-moradia, que recebem mesmo já tendo um imóvel próprio em Brasília.

Isso sem contar os R$ 4.268,55 previstos para despesas com postagens e telefonia, além da cota de passagens aéreas, que varia de R$ 6.000,00 a R$ 16.500,00, dependendo do estado de origem do parlamentar. Clique aqui, para ver um quadro com o custo da remuneração e da estrutura disponível para os deputados federais.

Em 2005, as despesas da Câmara dos Deputados chegaram a R$ 2,3 bilhões. O dinheiro gasto seria suficiente para aumentar em 8 vezes os investimentos federais em educação, no mesmo período. Dos gastos globais do órgão, 75% são referentes a despesas com pessoal e encargos sociais.

As regalias, no entanto, parecem não ser suficientes para alguns deputados que pretendem incorporar aos salários os R$ 15 mil de verba indenizatória. Esses recursos podem ser gastos com despesas como gasolina, alimentação, hospedagem, diárias, consultorias, material de escritório, entre outras.

O Ministério Público suspeita da existência de fraudes nas prestações de contas de alguns deputados. No ano passado, os parlamentares cobraram da Casa R$ 41 milhões como reembolso por “gastos com combustíveis para veículos automotores”, o equivalente a um consumo de 20,5 milhões de litros de gasolina.

Aline Sá Teles
Do Contas Abertas

A Tirania do Alfabeto

abril 24, 2006

É costume listar o nome de pessoas pela ordem alfabética. Isto tem revelado uma série de problemas já que termina por privilegiar, na maioria das vezes, as pessoas cujo nome estão no início do alfabeto. Diversos trabalhos já mostraram esse aspecto.

Um artigo recentemente publicado no Journal of Economic Perspectives (Vol. 20, n.1, 2006), Liran Einav e Leeat Yariv analisam os efeitos das iniciais do sobrenome na produtividade dos economistas. Em economia é norma que a listagem dos autores de um trabalho seja colocada em ordem alfabética de sobrenomes.

Einave e Yariv encontraram que os nome com as primeiras letras do alfabeto possuem mais possibilidade de estarem entre os mais renomados economistas das melhores faculdades de economia. Mais ainda, maiores são as chances de ganhar a Medalha Clark ou o Nobel de Economia, duas premiações importantes na área.

Os autores compararam os resultados obtidos na economia com a área de psicologia, onde não existe a norma da ordem alfabética. Na psicologia não existe diferença de produtividade pelo fato do nome do autor estar em ordem alfabética.

Existem diferentes justificativas para isso: quando se tem um artigo com mais de um autor, geralmente aparece o primeiro; nas referências os trabalhos são agrupados em ordem alfabética; trabalhos de citação, como o SSCI, trazem a lista com o primeiro autor somente; entre outras.

Uma comprovação prática dessa discriminação pode ser encontrada na lista telefônica. Existem diversas empresas com o nome começado com a letra “A”. A razão disso é simples: aparece logo no início da lista telefônica.