Custo da Guerra 2

Custo da Guerra no Iraque supera US$ 1 tri

Gazeta Mercantil – 20/3/2008Washington, 20 de Março de 2008 – No início da guerra do Iraque, o governo do presidente George W. Bush previu um gasto de US$ 50 bilhões a US$ 60 bilhões para expulsar Saddam Hussein, restaurar a ordem e instalar um novo governo.

Cinco anos se passaram, e agora o Pentágono avalia o custo com a guerra, a grosso modo, em US$ 600 bilhões ou mais. Joseph E. Stiglitz, economista Prêmio Nobel e crítico da guerra, considera os gastos no longo prazo em mais de US$ 4 trilhões. O Departamento de Orçamento do Congresso dos EUA e outros analistas dizem que uma visão mais realista é de US$ 1 trilhão a US$ 2 trilhões, dependendo do nível das tropas e por quanto tempo mais continuará a ocupação norte-americana.

Entre economistas e legisladores, a questão de como calcular o custo da guerra é motivo de acirrada disputa. E os custos continuam a subir.

Os congressistas democratas criticam ferozmente a Casa Branca a respeito das despesas com a guerra. Mas é virtualmente certo que os democratas providenciarão centenas de bilhões de dólares a mais em um projeto de lei para gastos militares no próximo mês. Alguns deles até são contra um prazo para retirada de dinheiro, alegando que a tática não terá sucesso como aconteceu no passado.

Todos os cálculos sobre os custos com a guerra incluem operações na zona de guerra, tropas de apoio, equipamentos de reparos ou de substituição, salários de reservistas, pagamentos especiais de combate para as forças regulares, e alguns cuidados com veteranos feridos – despesas que em geral ficam fora dos orçamentos do Departimento de Defesa ou dos assuntos ligados aos veteranos.

As estimativas maiores freqüentemente incluem projeções para operações futuras, custos com cuidados médicos de longo prazo e invalidez de veteranos feridos, uma porção do orçamento anual de defesa e, em alguns casos, efeitos econômicos mais amplos, incluindo um percentual de preços mais elevados do petróleo, e o impacto com o aumento da dívida nacional para cobrir os gastos crescentes com a guerra.

O debate alcança o Capitólio, as campanhas presidenciais, institutos de pesquisa e academias, e aborda fatores bastante esotéricos, como o alto índice inflacionário para as despesas de saúde dos veteranos, o valor monetário de quase 4 mil baixas com soldados mortos, e qual o papel que a guerra desempenhou, se de fato desempenhou, em relação aos preços mais altos do petróleo.

Alguns economistas que rastreiam as despesas com a guerra dizem temer que os políticos estejam cometendo erros similares aos de 2002, por não avaliarem plenamente os custos financeiros de curto e longo prazo que ainda se encontram à frente.

O que fazer agora?

“A pergunta importante no momento é: o que faremos daqui em diante? Porque nada podemos fazer com as despesas já ocorridas”, disse Scott Wallsten, economista e vice-presidente do iGrowthGlobal, instituto de pesquisa de Washington. “Ainda não ouvimos ninguém falar sobre isso.”

Os congressistas democratas, liderados pelo senador Charles E. Schumer de Nova York, chairman da Comissão Conjunta Econômica, tentaram chamar a atenção para as despesas crescentes e limitado progresso político no Iraque.

“O atual governo ainda não tem uma estratégia definida sobre a saída das tropas, nenhum caminho traçado para a reconciliação política, e nenhuma contabilidade sobre os custos para nosso orçamento ou economia”, disse Schumer.

A assessora de imprensa da Casa Branca, Dana M. Perino, reconheceu que os custos subiram mais do que o previsto, mas acrescentou que o governo estava empenhado em dar aos militares tudo que fosse necessário para o sucesso.

“Nenhum desses cálculos leva em consideração o custo do fracasso no Iraque”, disse Perino. “Caso a al-Qaida tivesse livre trânsito no Iraque, possivelmente seríamos atacados de novo em nosso país. E sabemos o custo que é isso.”

Os candidatos democratas, Barack Obama e Hillary Rodham Clinton, sempre dizem que o dinheiro para a guerra seria melhor empregado em casa. Clinton, na terça-feira, disse calcular a guerra em “muito acima de US$ 1 trilhão.”

“Isso é o suficiente”, continuou, “para fornecer cuidados com a saúde para todos os 47 milhões de norte-americanos não-segurados, além de maternal para todas as crianças do país, solucionar a crise do setor imobiliário residencial de uma vez por todas, tornar a universidade acessível para todos os estudantes, e fornecer benefícios fiscais a milhões de famílias da classe média.”

Entretanto o que os candidatos com freqüência não notam quando apontam essas coisas é que o custo total da guerra foi acrescentado à dívida nacional, e que o dinheiro gasto no Iraque não estará necessariamente disponível para outros programas. E, é claro, qualquer coisa que provoque retiradas imediatas acarretará novos bilhões de dólares para novas despesas.

Deixando de lado os debates, existe um consenso geral de que o Congresso irá destinar um pouco mais do que US$ 600 bilhões para as operações no Iraque até o encerramento do ano fiscal de 2008. E alguns analista dizem que isso será apenas metade do preços final.

“Segundo cenários razoáveis, assumindo que não saiamos depressa do Iraque, poderemos estar apenas na metade do caminho”, disse Steven M. Koziak, do Center for Strategic and Budgetary Asssessment, grupo de pesquisa não afiliado a nenhum patido. “Mesmo em despesas orçamentárias diretas é bem fácil calcular US$ 1 trilhao só para o Iraque.”

Além disso, os cinco anos de aniversário da guerra puseram em relevo os custos incorridos até o momento e as projeções futuras. Em um novo livro intitulado “The US$3 Trillion War” (A Geurra de US$ 3 trilhões), Stiglitz e a co-autora, Linda J. Bilmes, professora de Harvard, dizem que o impacto total na economia poderá ser de alarmantes US$ 4 trilhões ou mais. Até alguns economistas que se intitulam fãs de Stiglitz dizem que essa cifra é exagerada.

Lawrence B. Lindsey, que deixou o posto de principal consultor econômico do presidente Bush em parte por ter previsto que a guerra poderia custar US$ 100 bilhões a US$ 200 bilhões, também publicou um novo livro, que serve como lembrete do tipo “eu avisei.”

O ex-consultor insiste que seus prognósticos estavam em parte certos. “Minha estimativa hipotética s aproximou muito do custo anual”, escreveu. “Mas interpretei mal um fato importante: por quanto tempo ficaríamos envolvidos na guerra.”

Não foi o único a se enganar. Virtualmente todas as estimativas falharam, pois as operações no Iraque e Afeganistão se prolongaram mais e foram mais caras do que sugeriram as previsões inicias”, disse Peter R. Orszag, diretor do Departamento de Orçamento do Congresso, em entrevista.

(Gazeta Mercantil/Caderno A – Pág. 14)(The New York Times)

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