Efeito da ajuda 1

Tesouro concentra capital dos bancos

15/10/2008

Valor Econômico

O novo plano de socorro a bancos apresentado ontem pelos EUA transformará o Tesouro americano em importante acionista de algumas das maiores instituições financeiras do país, um movimento agressivo cujo objetivo é restaurar a confiança de investidores e reativar o mercado global de crédito. O Tesouro investirá US$ 250 bilhões para injetar capital diretamente nos bancos em troca de participações acionárias. Metade irá para oito grandes bancos que aceitaram ser os primeiros a entrar no programa. O restante irá para os que se candidatarem nas próximas semanas. Milhares de bancos menores, cooperativas de crédito e outras instituições financeiras poderão participar. Quatro bancos receberão US$ 25 bilhões cada: Citigroup, JPMorgan Chase, Bank of America e Wells Fargo. Dois bancos de investimento que estão se convertendo ao varejo, Goldman Sachs e Morgan Stanley, terão US$ 10 bilhões cada. O Bank of New York Mellon terá US$ 3 bilhões e o State Street, US$ 2 bilhões.

É possível que o plano transforme o Tesouro no maior acionista individual dessas instituições, dependendo das condições em que os aumentos de capital forem feitos e da eventual participação dos atuais acionistas e de outros investidores nas operações. Ontem, US$ 25 bilhões representavam um quarto do valor de mercado do Citigroup. O plano reproduz vários elementos dos pacotes de salvamento lançados nos últimos dias na Europa e que os EUA relutaram em seguir. “Lamentamos ter que tomar essas ações”, afirmou o secretário do Tesouro, Henry Paulson, ao anunciar o plano. “Mas é o que precisamos fazer para restaurar a confiança no nosso sistema financeiro.” Os US$ 250 bilhões equivalem a mais da metade de tudo o que bancos americanos e europeus conseguiram levantar de capital novo desde o começo de 2007, quando começaram a reconhecer os enormes prejuízos gerados pelo estouro da bolha do mercado imobiliário americano. Mesmo assim, o plano oferece apenas uma fração do volume de recursos que muitos analistas acreditam que ainda será necessário para reforçar as reservas de capital dos bancos e compensar as perdas ainda não contabilizadas. O FMI estima que os bancos vão precisar de US$ 675 bilhões nos próximos anos. Os US$ 250 bilhões fazem parte do pacote de US$ 700 bilhões que o Tesouro apresentou em setembro para salvar o sistema financeiro. A intenção original era usar o dinheiro para comprar ativos ruins que comprometeram a saúde dos bancos, ajudando-os a limpar os balanços. O Tesouro ainda não sabe como organizar os leilões para adquirir esses ativos. Levará semanas para acertar os detalhes. Nos últimos dias, o aprofundamento da crise e as medidas tomadas na Europa convenceram o governo americano a aceitar a idéia de que injetar capital nos bancos poderia ser uma resposta mais simples e eficaz. Teoricamente, os US$ 250 bilhões permitiriam alavancar US$ 2,5 trilhões em empréstimos em condições normais, num cálculo conservador. Mas ainda é cedo para saber o impacto que o apoio do governo terá sobre a oferta de crédito nas condições atuais, com os EUA e outras economias avançadas em recessão ou muito perto dela. Outra medida anunciada ontem pelos EUA ataca esse problema por outra frente. A Corporação Federal de Seguro de Depósitos (FDIC), agência governamental que protege os correntistas contra o risco de falência dos bancos, vai garantir também, temporariamente, dívidas dos bancos e depósitos mantidos pelas empresas em contas usadas para pagar salários e fornecedores. Essas garantias incluirão papéis que os bancos poderão emitir a partir desta semana, e até junho de 2009, para buscar financiamento no mercado. O objetivo principal do governo é fazer os bancos voltarem a emprestar entre si, o que deixou de ocorrer nas últimas semanas. A medida também ajuda o governo a ganhar tempo, evitando uma corrida aos bancos mais frágeis. Em junho, havia 117 bancos na lista de observação da FDIC, que garante depósitos de 8,4 mil instituições. Os bancos que aceitarem ter o governo como sócio dinheiro também terão de aceitar limites para a remuneração de executivos, uma exigência que o Congresso americano fez para tornar politicamente viável a aprovação do socorro aos bancos. Funcionários do Tesouro sugeriram aos bancos que o efeito prático desses limites será pouco significativo.

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