Archive for the ‘doação’ Category

Doação incondicional

novembro 20, 2007

Na contabilidade do terceiro setor, um dos termos usados é a doação, que pode ser condicional ou incondicional. Neste último caso, a entidade que recebe a doação tem liberdade para fazer o que deseja com os recursos. Em ambos os casos, o valor deve ser registrado, sendo a classificação útil para o usuário externo e por isto será evidenciada.

Uma pequena notícia no jornal O Globo usou o termo “doação incondicional” (grifo meu):


LA PAZ e QUITO. O presidente da Bolívia, Evo Morales, entregou ontem ao comandante das Forças Armadas do país, general Wilfredo Vargas, um cheque de US$3,7 milhões, completando uma doação de US$6,3 milhões iniciada há três meses por seu colega e aliado venezuelano, Hugo Chávez. Os recursos, parte da generosidade estratégica de Caracas, se destinam a melhorar 125 unidades militares.

A oposição criticou o fato de os cheques venezuelanos tenham sido distribuídos sem contabilidade oficial e sem controle de qualquer tipo. Morales, por sua vez, rebateu as críticas, afirmando que se trata de uma doação incondicional de Chávez. Ele pediu aos militares que não vejam o fato como uma “chantagem” nem uma forma de submetê-los à orientação chavista. (…)

Aliados ganham mas também pagam preço
O Globo – 20/11/2007

É importante notar que o fato de existir uma doação incondicional não é um justificativa para que os recursos não entrem na “contabilidade oficial”

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Fundação Gates

novembro 1, 2007

A Fundação criada por Bill Gates anunciou que estará patrocinando uma pesquisa denominada “The Joys and Dilemmas of Wealth.” A pesquisa será feita entre os ricos, que possuem mais de 25 milhões de dólares. A pesquisa pretende entender o que leva um milionário a fazer doações para caridade.

Fonte: Aqui

Links

julho 19, 2007

1. CVM Multa Executivo – Notícia de 11/07

2. ONG Doutores da Alegria – Um bom estudo de caso sobre doação e receita numa ONG

3. Mercados Adaptativos – Uma teoria alternativa a teoria clássica de finanças

A brincadeira vira negócio sério

julho 13, 2007

Do Estadão de 11/07/07:

A brincadeira vira negócio sério
ONG Os Doutores da Alegria, que atendem crianças em hospitais, montam estrutura profissional de gestão
Pedro Henrique França
O Estado de São Paulo – 11/07/2007

A organização não-governamental Doutores da Alegria encontrou motivos de sobra para comemorações este ano, quando completa 16 anos de atividade. Reconhecida nacionalmente, a ONG atingirá no próximo mês a marca de quase meio milhão de crianças visitadas e chegará a hospitais de Belo Horizonte. O projeto, iniciado em São Paulo, já foi implantado em hospitais do Rio e Recife. Além disto, a ONG abriu um segmento inédito de patrocínio, chamado investidor nacional. Essa cota de patrocínio, de R$ 1,2 milhão, encontra-se em fase de negociação: quem bater o martelo e adquiri-la terá sua logomarca estampada nas costas dos jalecos de todos os palhaços, em todas as unidades.

Isso porque os Doutores não sobrevivem apenas de voluntariado. Hoje, a ONG capta recursos principalmente por meio de incentivo fiscal. Para este ano, o orçamento é de R$ 5,6 milhões. “Deste montante, 60% devem vir mediante o incentivo da Lei Rouanet. Os outros 40% vem de recursos próprios, captados de pessoas e empresas que não se utilizam da lei de incentivo”, afirma o diretor-executivo Luis Vieira da Rocha.

Os patrocínios são divididos em cotas. O investidor nacional, participação que estréia este ano, deverá destinar R$ 1,2 milhão. Sua logomarca aparecerá em um dos ombros dos jalecos e nas costas dos atores-palhaços (ou “besteirólogos”, como denominados pela instituição). Há ainda o patrocinador nacional, que aloca R$ 800 mil e tem sua logomarca estampada em apenas um dos ombros. Já os patrocinadores regionais aportam investimentos de R$ 300 mil, e tem marcas divulgadas nas unidades estaduais. Parceira há cinco anos e patrocinadora nacional de 2007, a indústria farmacêutica Janssen-Cilag aposta no impacto de imagem social do programa como retorno de investimento. “Encontramos no Doutores uma sinergia muito grande”, diz a executiva de marketing da Janssen-Cilag, Gisela Dante. Como grande parte dos 60% do orçamento é captada no final do exercício do ano anterior, quando as empresas apuram seus lucros anuais, os esforços no decorrer do ano se voltam para arrecadação dos outros 40%. Um exemplo é a parceria anual firmada com o Santander Banespa. De outubro a dezembro, o banco lança o título de capitalização de final de ano, em que 1% da arrecadação das vendas é destinada à ONG. “O consumidor sabe que optando por aquele produto ele estará beneficiando uma causa social”, afirma o diretor dos Doutores. Inicialmente formado com grupos pequenos de voluntários e doações isoladas, a instituição cresceu, adotou centros internos de estratégias, profissionalizou a equipe, com remuneração e registro em carteira, e se adequou a uma nova realidade. Como diz o lema adotado pela própria instituição, eles representam “o engraçado que é sério”. “Esta foi uma assinatura que desenvolvemos para dar respostas às percepções que a sociedade tem deste trabalho. É engraçado mas é sério, porque tem pesquisa, formação e desenvolvimento contínuo”, enfatiza Vieira da Rocha.

DESENVOLVIMENTO

A estrutura executiva da ONG foi implantada em 2006, com um organograma a exemplo de grandes corporações, ou “oréganograma”, como denominam,usando a linguagem de palhaços. A diretora artística Thaís Ferrara está na ONG desde 1993. “Política de remuneração, estruturação de cargos e definições claras de funções ocorreram de 2004 para cá.” Segundo ela, um estagiário recebe por volta de R$ 86 diários, enquanto um palhaço profissional sem formação de hospital ganha R$ 108. Com a formação deste palhaço, ele passa a receber R$ 200. Cada palhaço trabalha cerca de três dias por semana, o que dá por volta de R$ 2.000 ao mês. Para 2007, a meta dos Doutores é implantar uma rede de cooperação de palhaços nos hospitais de outros Estados. Segundo Vieira da Rocha, anualmente a ONG presta contas ao Ministério da Cultura, em um evento. Para este ano, estão programados espetáculos no Sesc Pompéia, em São Paulo. Tudo para mostrar que o riso existe, mas é profissional.

Doações para o Vaticano

julho 7, 2007

Segundo a France Presse, os EUA são os maiores doadores para o Vaticano (Estados Unidos são os maiores doadores do Vaticano, apesar dos escândalos, 06/07/2007, Agence France Presse). Esta posição é uma repetição dos anos anteriores, conforme foi divulgado quando da apresentação do balanço consolidado de 2006.

As doações mantiveram-se, apesar dos escândalos dos padres pedófilos. A Igreja dos Estados Unidos teve que arcar com indenizações em dinheiro para as vítimas.

Por exemplo, o arcebispado de Los Angeles aceitou em dezembro de 2006 destinar 60 milhões de dólares para resolver amigavelmente as ações movidas por 45 supostas vítimas de padres pedófilos. Muitas dioceses se declararam em falência diante da impossibilidade de saldar a dívida.

Esta situação teve conseqüências sobre a contabilidade da Santa Sé porque se os Estados Unidos continuaram a ser o primeiro país nas doações livres, ele foi superado em 2006 pela Alemanha no que diz respeito às contribuições das dioceses, afirmou o cardeal.

Os três principais doadores do Vaticano são, em ordem, os Estados Unidos, a Alemanha (país natal do papa Bento XVI) e a Itália.

Pelo terceiro ano consecutivo, a Santa Sé apresentou um balanço econômico positivo em 2006, com quase 228 milhões de euros em receita e 225 milhões de euros de despesa.

As receitas são constituídas principalmente das coletas e do valor pago regularmente pelas dioceses. Os turistas que visitam os museus do Vaticano também contribuem com o financiamento do pequeno Estado.

A maior parte das despesas consiste na remuneração de 2,704 pessoas (773 padres, 331 religiosos e 1.600 leigos) que trabalham na cúria romana.

O Estado do Vaticano conta com 1.693 empregados. Para o ano de 2006, o fundo de pensão do Vaticano pagou mais de 15 milhões de euros a seus aposentados.

Em 2006, os donativos ao papa e à Santa Sé aumentaram 12% graças particularmente a contribuições “excepcionais”, afirmou o padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano. “Agradecemos a providência, mas nós esperamos que isso se repita nos próximos anos”, declarou.

Classificação de Doação

janeiro 25, 2007

Comentamos sobre critérios e classificação (clique aqui). Agora a AIP (Instituto Norte-Americano de Filantropia) fez uma classificação, com notas, para as instituições que merecem receber doação, nas diferentes áreas. As notas, por sinal, obedecem aquelas que os alunos recebem na escola.

Ou seja, antes de fazer uma doação, é necessário considerar que o dinheiro gasto foi bem gasto. Isso inclui os eventuais benefícios fiscais. A Cruz Vermelha recebeu, por exemplo, a nota A+.

Para as notas, a AIP considerou o relatório anual, as demonstrações auditadas e documentos fiscais.

Para determinar as melhores instituições, a AIP usou os seguintes indicadores:

Percentagem Gasto em Filantropia = proporção de despesas totais gasto em programas filantrópicos. A AIP considera 60% ou mais como razoável. O restante deve ser gasto na atividade de obtenção de fundos e despesas administrativas. A AIP faz alguns ajustes nos números, como desconsiderar os custos de obtenção de recursos como despesas de filantropia.

Custo para obter $100 = reflete quanto foi gasto para obter $100 de fundos. Nos padrões da AIP, $35 ou menos é considerado razoável.

Anos de Ativo = número de anos que os ativos disponíveis podem continuar a operar no nível atual sem qualquer necessidade de obtenção de fundos. O padrão é 3 anos.

Alguns itens diminuem a nota. Por exemplo, instituição com um volume de ativos igual ou maior de 3 a 5 anos de despesas operacionais.

Clique aqui para ler mais

Sem desastre, ONG trabalha mais

janeiro 5, 2007

The Wall Street Journal como o ano não teve furacão ou terremoto

“as ONG estão trabalhando mais, tentando obter fundos. Isso por que os desastres, e a cobertura de imprensa que eles geram, são o carro chefe das doações. CARE diz que receitas dos fundos privados cairam 23% (…) Save the Children, um fundo privado caiu 31% (…)”

“Com desastres naturais menores torna difícil para obter fundos quando eles não chamam atenção da grande imprensa”, diz o vice presidente da CARE, Deb Neuman

Exxon Mobil pagou …

janeiro 4, 2007

Notícia do Yahoo News:

A ExxonMobil deu $16 milhões de dólares a 43 grupos ideológicos entre 1998 a 2005 para desacreditar as notícias sobre os perigos do aquecimento global.

Ministério público investiga campanha

janeiro 4, 2007


Ministério Público investiga empresas por crime eleitoral

Em alguns casos, doação para candidatos paulistas superou o faturamento declarado pela pessoa jurídica

Fausto Macedo e Rodrigo Pereira

O Ministério Público Federal apertou o cerco a um grupo de 100 doadores de campanha e descobriu que o caixa 2 e o financiamento ilegal foram usados em larga escala nas últimas eleições em São Paulo. Com base nos resultados parciais da investigação, acionou a Receita Federal para rastrear balanços contábeis e fiscais de pessoas físicas e jurídicas que violaram regras eleitorais.

Há casos de pessoas físicas que contribuíram com valor superior ao da própria renda bruta auferida em todo o ano anterior. E de pessoas jurídicas que doaram total muito maior que o faturamento bruto declarado. “Suspeitamos que a origem dos recursos possa ser ilícita ou que possa estar havendo prática de caixa 2”, destacou o procurador-regional eleitoral, Mário Luiz Bonsaglia, que comanda a apuração. A maior parte das ocorrências envolve candidatos eleitos. “Esperamos que a Justiça Eleitoral seja rigorosa na punição desses abusos.” (…)

Políticos e doação

dezembro 25, 2006


Passadas as eleições torna-se claro o papel importante da contabilidade para entender o cenário político. Hoje a Folha mostra uma reportagem que compara a doação de campanha e os projetos/trabalhos realizados pelos políticos no Congresso. A seguir trechos selecionados:

Senadores captam doações de interessados em seu projetos

RUBENS VALENTE

LEANDRO BEGUOCI

Pelo menos 17 senadores que disputaram cargos nas eleições de 2006 e 2002 receberam doações de empresas que têm interesses em projetos relatados por eles ou em seu trabalho em comissões temáticas da Casa.

“Você vai se interessar em ajudar alguém que você nunca mais vai encontrar na vida? Não, então eles olham quem são os parlamentares que têm potencialidade, que têm poder, e ajudam alguns. É mais uma aposta no futuro que uma relação imediata”, disse Ney Suassuna (PMDB-PB), que recebeu R$ 128 mil de empresas farmacêuticas em sua campanha à reeleição ao Senado, neste ano, e relatou projetos sobre propaganda do setor. Ele não foi reeleito e disse ter votado contra os interesses das empresas.

Maguito Vilela (PMDB-GO), vice-presidente da CPI dos Correios, recebeu R$ 50 mil de Flávio Guimarães, presidente do conselho de administração do BMG, um dos alvos da CPI que ele eventualmente presidia. Foi a única doação feita pessoalmente pelo banqueiro. “Não tenho conhecimento dessa doação”, disse ele, que recebeu os recursos para a sua campanha (derrotada) ao governo de Goiás neste ano.

A empresa de segurança privada Protege colaborou com uma única campanha no país, a do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) ao governo de São Paulo. O primeiro repasse, de um total de R$ 62 mil, ocorreu em agosto. Dois meses antes, Mercadante havia relatado na CCJ um projeto de impacto direto nas empresas de segurança.

Menos verba à União

O Estatuto do Desarmamento havia previsto, a partir de emenda de Mercadante, o pagamento de uma taxa anual de R$ 1.000 por arma adquirida por empresas de segurança privada. Em junho, o senador, já candidato ao governo paulista, mudou de idéia: sugeriu que a taxa ficasse em 20% do previsto. Há cerca de 255 mil armas em poder das empresas de segurança. Com a redução, o valor anual pago pelas empresas à União cairia de R$ 255 milhões para R$ 51 milhões. O senador não vê problema por ter aceitado as doações da Protege logo após o relatório: “Isso não vai interferir no meu mandato. Vou fazer conforme minha consciência como sempre fiz.”

Mercadante também rejeitou proposta que previa a inclusão, nas embalagens de bebidas alcoólicas, de avisos sobre os efeitos perniciosos do álcool. O parecer alegava “erros jurídicos” no projeto e não impediu que ele recebesse doação de R$ 300 mil da AmBev em 2006.

(…)

“É melhor buscar as coisas legalmente que por caixa dois”, diz Demóstenes Torres (PFL-GO), que obteve R$ 12,5 mil de fábricas de armamento durante sua campanha ao governo de Goiás, neste ano, e relatou no Senado projeto sobre porte de armas em ônibus.

As empresas naturalmente negam qualquer relação:

Empresas negam elo entre doações e ação parlamentar

“A doação realizada pelo doutor Flávio Guimarães para campanhas eleitorais atendeu rigorosamente aos preceitos da legislação eleitoral (…). O doutor Flávio não discutirá o mérito de doações específicas, limitando-se a esclarecer que a doação indagada ocorreu em período posterior à aprovação do relatório final da CPI dos Correios, não tendo por óbvio influência no seu resultado”, disse a assessoria do BMG.

A Protege informou que “os interesses do Grupo Protege eram e continuam sendo a favor da isenção total do pagamento das taxas. O parecer do senador Aloizio Mercadante foi contrário ao nosso pleito, propondo taxação de 20%”.

O Banco Itaú, que comprou o Banestado, disse que se reserva “o direito de concentrar seu apoio a candidatos e partidos que, no seu julgamento, oferecem os programas e as idéias mais eficientes para melhoria das condições de vida da sociedade. Em linha com seu processo de governança corporativa e de transparência, o Itaú define os apoios num comitê composto por conselheiros e vários executivos. O Itaú jamais solicitou qualquer vantagem como compensação às contribuições que faz”.

O estaleiro Rio Maguari, que doou R$ 150 mil para Luiz Otávio (PMDB-PA) -relator de projeto que destina dinheiro à companhia de navegação do rio São Francisco-, disse que a doação não tem ligação com o fato de o senador relatar projetos desse tipo. “Luiz Otávio é comprometido com os assuntos paraenses. Ele vinha ocupando a presidência da CAE, e é difícil um político paraense ter o destaque que ele tinha”.

A CBF nega ligação entre doação e atuação parlamentar: “Nunca vi uma ação que é feita a posteriori. Seria um prêmio pelo trabalho dele? A CPI do Futebol fez investigar as coisas”, disse Rodrigo Paiva.

A AmBev diz que “Mercadante era candidato ao governo do maior Estado pelo maior partido, por isso doou. Não tem qualquer relação com projetos”. Sobre Romero Jucá, a AmBev diz que “distribui regionalmente, por partido, e eqüanimemente. Não tem relação com projetos”.