Archive for the ‘ensino’ Category

O ensino público no Brasil

janeiro 22, 2008

Um dado interessante da Universidade de Brasília, uma universidade custeada com o dinheiro dos contribuintes: no período de 2001 a 2005, dos 26.180 alunos de graduação que deixaram a universidade, somente 58% se formaram. 24% abandonaram a UnB, 16% foram desligados e 2% transferidos. O número de 40% de abandonos e desligamentos é elevado. (O número de abandonos e desligamentos do curso de contabilidade está próximo da média)

Coordenei a equipe da UnB que calcula o custo por aluno. Em média este custo está em torno de R$6.500 por ano. Um cálculo simples mostra o tamanho deste desperdício:

(26.180 x 40% / 5) x 6.500 = 13,6 milhões por ano

Quando se compara com a pós-graduação, onde o índice de abandono é inferior a 20%, talvez pudéssemos inferir que o problema está no processo seletivo. Na graduação, a seleção é feita quando o candidato ainda não sabe sua real escolha e é imaturo. Além disto, a processo seletivo da graduação é por atacado, sem vislumbrar as características que podem interferir no abandono. Já na pós-graduação, como os cursos são avaliados pelo baixo índice de abandono, a seleção visa verificar qual aluno tem condições de concluir o curso. A ótica é diferente (na graduação, o aluno que possui o melhor conhecimento ex-ante; na pós-graduação, o aluno com melhor condição ex-post.).

Uma forma de resolver este problema é através de incentivos para que as universidades federais reduzam o número de abandonos.

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Por que a administração ignora as escolas de administração

janeiro 14, 2008

Os três candidatos democratas para presidência dos Estados Unidos em campanha nas primárias são advogados. Mesmos os cônjuges de Barack Obama, Hillary Clinton e John Edwards são advogados. Mike Huckabee e John McCain não são advogados, mas Rudy Giuliani e Fred Thompson são. Esta é uma corrida para o CEO dos Estados Unidos, não para seu conselho geral. Existi um graduado em administração entre os candidatos? Mitt Romney – e ele fez direito junto com o seu MBA em Harvard.

Escolas de administração deveriam pensar sobre advogados. Primeiro, eles parecem mandar nos EUA. Dos 43 presidentes dos EUA, 25 foram advogados. Somente um tem um MBA (o atual, mas talvez seja melhor não falar sobre isto).

Segundo, escola de direito parece ter uma influencia sobre sua profissão que as escolas de administração não possuem. Quando um escola de direito publica um periódico, advogados os lêem. Quando escolas de direito fazem seminários, advogados vão.
Executivos, por outro lado, prestam pouca atenção no que as escolas de administração fazem ou dizem. Em 1993, Donald Hambrick, então presidente da Academy of Management, descreveu a academia de administração numa conferência como um “incestuoso ciclo fechado”, em que os professores vão para “falar um com os outros”. Muito pouco mudou.
Na atual edição da The Academy of Management Journal, Rita Gunther McGrath da Escola de Administração de Columbia diz: “Muito dos que nós publicamos sequer é citado por outros acadêmicos.
Não é somente as escolas de direito que tem um grande impacto na sua profissão. Escolas de medicina e engenharia também.”

Por MICHAEL SKAPINKER Financial Times – 8/1/2008 -Asia Ed1 -Page 11

Quais as razões para isto? Skapinker lista as seguintes possibilidades:

a) Para progredir na carreira acadêmica é necessário a publicação em periódicos de prestígio. E nestas publicações, a legibilidade do artigo não é um aspecto importante

b) Alguns artigos são adornados com tabelas, estatísticas e jargões, o que faz com que o autor pareça um “acadêmico”

c) Dentro do mundo dos negócios, as escolas de administração sofrem de um complexo de inferioridade

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Ensino a distância

janeiro 8, 2008

O ensino a distância possui características peculiares que podem ajudar na eliminação do Dilema de Baumol. (Relembrando, Baumol é um economista norte-americano, ainda vivo, que propôs que em certos setores, inclusive educação, não é possível ter uma redução do custo em virtude do aumento da produtividade). Algumas instituições de ensino, como a University of Phoenix, nos Estados Unidos, e algumas universidades no Brasil, possuem uma estrutura produtiva diferente do ensino tradicional.

Os cursos ofertados possuem estruturas para reduzir custos, incluindo a redução de infra-estrutura no campus (prédios, bibliotecas etc), economia de escala (centralização dos cursos e padronização dos conteúdos) e redução no atendimento on-line com redução na interação entre aluno e professor. Além disto, este modelo reduz a possibilidade de inovações e alterações substanciais de conteúdo.

Os modelos mais tradicionais de ensino à distância, como o praticado pela Universidade Aberta do Brasil, não consegue obter esta estrutura de produção. Usam uma relação tutores/aluno baixa, um material produzido por especialistas da área, promovem encontros presenciais, entre outros aspectos. Por um lado, isto serve para melhorar a qualidade deste ensino. Mas por outro, não se consegue obter uma economia de escala tão elevada.

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Final de Ano e Notas

dezembro 18, 2007


Final de semestre, nós, professores, temos a tarefa de “premiar” os alunos com as notas. Uma piada de humor negro comum é fazer este trabalho jogando os trabalhos para o alto e a nota sendo distribuída pela aleatoriedade do resultado. Aqui, neste endereço, o método é explicado com detalhes.

Quando, no início de minha carreira acadêmica, escutava estas histórias, achava que eram invenções. Esta pesquisa parece comprovar que talvez não seja.

Cursos chatos

dezembro 6, 2007

Este endereço questiona qual a razão para que alguns cursos sejam tão chatos. Para evitar isto, o texto sugere tentar estabelecer vínculo com a realidade. Os exemplos são da estatística, economia, história, psicologia e ciência da computação. E a contabilidade? Quem ensina a contabilidade sabe como ela é taxada de “chata”, “pouco interessante”, “confusa” e outras qualificações. Como fazer com que o ensino seja mais interessante? Uma resposta é encontrar aplicações ao ensino da contabilidade. Outra possibilidade é observar e tentar novas experiências, novos livros, novas abordagens.

Educação Privada no Brasil

novembro 27, 2007

Uma reportagem interessante da Gazeta Mercantil sobre a venda de instituições de ensino superior no Brasil. É interessante que a participação de sócios estrangeiros, antes com sérios limites na legislação, não é mais um problema. Esta venda tende a aumentar a concentração do setor, reduzir a concorrência e prejudicar as pequenas instituições de ensino. Além disto, algumas destas instituições não possuem um comprometimento com pesquisa ou extensão. Isto significa que o movimento de aquisição destas instituições pode reduzir a possibilidade de criação de instituições privadas de excelência no Brasil.

Aspectos interessantes apresentados na reportagem dizem respeito a questão do lado emocional no momento da fixação do preço de venda.

Universidade privada acirra disputa aluno por aluno
Gazeta Mercantil – 27/11/2007

Dois anos depois de ter comprado 51% da Universidade Anhembi Morumbi por US$ 69 milhões, o grupo norte-americano Laureate International deve anunciar mais três aquisições em distintos pontos do País. Estão em fase adiantada de negociação – mas ainda em um penoso processo de auditoria das contas e da saúde financeira das instituições (due diligence) – a Universidade da Amazônia (Unama), de Belém do Pará; a Universidade Veiga de Almeida (UVA), do Rio de Janeiro; e o Centro Universitário do Norte (Uninorte), de Manaus.

É um longo caminho já percorrido pela Laureate nos últimos doze meses com a Universidade Potiguar (UnP), do Rio Grande do Norte, que tem 20 mil alunos. A compra, anunciada há três meses por R$ 100 milhões, acabou se transformando em um acordo operacional, para dar tempo de aproveitar o vestibular deste fim de ano. O acordo protocolado no início do mês envolveu também a Faculdade Guararapes, com dois mil alunos, no município de Jaboatão dos Guararapes, próximo a Recife.

(…)
A Estácio de Sá Participações também está ampliando agressivamente sua atuação no mercado paulistano por meio de aquisições e pela expansão orgânica através de convênios com escolas do ensino médio. Sua controlada Centro Universitário Radial (UniRadial), a universidade está fechando a compra da Faculdade Interlagos de Educação e Cultura (Fintec) e mais duas instituições de pequeno porte.

A UniRadial, voltada para as classes C e D, é porta de entrada da Estácio no maior mercado de educação do País, com um universo de 400 mil universitários apenas na capital e que, a cada ano, abriga 130 mil novos calouros.

(…) O SEB – Sistema Educacional Brasileiro S.A., do Grupo COC, com sede no interior paulista, também anunciou ontem aquisições. Por R$ 10 milhões, comprou a Sociedade Brasileira de Programação Educacional, mantenedora da Faculdade Metropolitana, de Belo Horizonte, com cerca de 2,7 mil alunos.

(Gazeta Mercantil/Caderno C – Pág. 7)(Tânia Nogueira Alvares)

Definir preço é o maior entrave nas negociações
Gazeta Mercantil – 27/11/07

Os empecilhos para fechar um negócio no mercado privado de ensino superior são grandes. As instituições, de origem familiar, não são administradas dentro de um modelo de governança corporativa, nem dispõem de um sistema contábil financeiro que permita medir qual é exatamente sua geração de caixa, medida normalmente adotada pelos compradores.

“Há uma diferença grande entre o valor estimado do Ebtida ou do faturamento apresentado pela instituição para a projeção de valor de compra feita pelo investidor”, diz Carlos Monteiro, da CM Consultoria. Não é uma simples questão matemática de multiplicar o preço médio de mercado por aluno pelo total de estudantes da escola, ou por um determinado número de vezes o valor do Ebtida (conceito que mede a geração de caixa). Alguns negócios recentes, inclusive, foram fechados com base no potencial de expansão da faculdade.

“Está difícil fechar um negócio pelos valores racionais de mercado. Os vendedores colocam um preço emocional que é difícil de mensurar – tradição, origem familiar pesam muito – e acaba havendo discrepância muito grande entre o preço pedido e o valor analisado. E os vendedores acham que os investidores querem comprar só na bacia das almas”, enfatiza o consultor.

O caso da Unama pode ilustrar esse processo. “Já fomos visitados por todos os grupos de investidores. Tanto que, de professor de oratória, virei mestre em ‘escutatória'”, brinca o professor Édson Raymundo Pinheiro de Souza Franco, 71 anos e reitor da Unama há 14 anos. Um dos seis sócios atuais, ele diz que, mais do que com o valor do negócio, ele está preocupado com a manutenção dos valores e princípios que têm norteado a Unama nos últimos 20 anos. Ele não confirma o fechamento do negócio, mas admite que a proposta tem dividido os sócios: quatro são favoráveis à venda, dois não, e ele é um deles. “A Unama tem um valor imponderável.”

A própria Unama é fruto de consolidação de duas antigas instituições de Belém. Hoje tem 20 mil alunos (18 mil na graduação e 2 mil na pós-graduação), que pagam mensalidades entre R$ 400 e R$ 1 mil, dependendo do curso. Seu número de alunos é igual à soma dos alunos de todas as outras faculdades particulares da capital do Pará. A Unama também tem instalada uma base de ensino a distância em onze municípios, com 4,5 mil estudantes. “É o futuro da educação”, diz o professor Souza Franco.

UniNorte prefere parcerias

“O momento do mercado educacional é de análise, de organização do setor e de estudo de todas as possibilidades’, afirma o presidente do Centro Universitário do Norte (UniNorte), professor Waldery Areosa Ferreira, sem admitir o negócio com a Laureate. A instituição também já foi visitada por diferentes grupos consolidadores, mas a UniNorte, sediada em Manaus, não considera a possibilidade de ser vendida. “Firmar parcerias ou algo neste caminho podemos até pensar, mas vender, não.”

Com mais de 18 mil alunos só na graduação, a empresa começou a expandir para o ensino superior em 1994. Em abril de 2004 as diferentes faculdades criadas no processo de expansão se transformaram em centro universitário, administrado pela Sociedade de Desenvolvimento Cultural do Amazonas (Sodecam). Além do UniNorte, o grupo tem uma franquia do Colégio Objetivo de São Paulo, que oferece da educação infantil ao ensino médio. Mas não tem parceria nem pertence ao Grupo Di Genio, enfatiza Ferreira.

Com 53 cursos de graduação e mensalidades de R$ 335,00 (História e Geografia) a R$ 892,50 (Odontologia), o UniNorte disputa o mercado manauense com mais 15 instituições, sendo duas públicas.

Segundo Ferreira, hoje a demanda que estava reprimida há alguns anos conseguiu ser atendida. “Restam às instituições que conseguiram se firmar no mercado educacional oferecer diferenciais a seus alunos. Por isto, não descartamos nenhuma possibilidade de expansão ou de apresentar novidades, como por exemplo o crescimento através de aquisições.”

(Gazeta Mercantil/Caderno C – Pág. 7)(T.N.A.)

Ensino à distância

outubro 23, 2007

Terminei minha atividade como coordenador do módulo de contabilidade do curso a distância de administração da UnB. É uma experiência interessante e rica, que mostrou os desafios deste tipo de ensino.

O processo de comunicação com o aluno é mais complexo e exigente. Por isto, estimo que no ensino a distância o nível de exigência para o professor seja pelo menos duas vezes maior que no ensino presencial. (Fiquei pensando como uma instituição de ensino pode ter mais de cem mil alunos a distância? Isto é outro assunto, mas isto ajuda a explicar a desconfiança que temos deste tipo de ensino.)

O mais importante é que esta é uma alternativa para incluir o aluno. Nas palavras de Matias-Pereira, o coordenador do curso de Administração da UnB:

A EDUCAÇÃO a distância (EAD), na sua essência, é um sistema tecnológico de comunicação bidirecional. Disponibilizada, em geral, para um grande número de pessoas, essa forma de ensino substitui a interação pessoal entre professor e aluno na sala de aula pela ação sistemática e conjunta de diversos recursos didáticos e de organização e tutoria que propiciam a aprendizagem autônoma dos estudantes.

Reuni e Efeito Baumol

outubro 10, 2007

O Efeito Baumol é um fenomeno descrito por William Baumol e William Bowen, na década de 1960. Estes autores perceberam, ao estudar o setor de artes, que são necessários o mesmo número de músicos para tocar uma sinfonia de Beethoven hoje, assim como no século XIX. Ou seja, a produtividade não afetou a produtividade, ao contrário do que ocorre no setor industrial ou de serviços. Ou seja, em alguns setores intensivos de mão-de-obra, como é o caso da educação ou uma orquestra sinfônica. Recentemente o governo federal propôs as universidades verbas adicionais desde que fizessem um esforço no sentido de aumentar o número de vagas e aumentar a relação aluno/professor para mais de 18. E o efeito Baumol?

O Ensino de Contabilidade

outubro 4, 2007

A revolução tecnológica deveria ter alterado a forma como ensinamos contabilidade. Deveria, mas a verdade é que muitas vezes o professor continua passando os conhecimentos para seus alunos como se ainda não existisse o computador.

Um artigo publicado num periódico mexicano, El Economista, faz uma reflexão sobre as mudanças no ensino de contabilidade (Opinión – Los cambios en la enseñanza de la contabilidad, Francisco Javier Calleja Bernal; 25/09/2007). Destaco alguns trechos mais significativos, a seguir:

a) Los demasiados registros contables. (…) Aunque es curioso saber que la mayoría de los paquetes contables en computadora todavía ofrecen imprimir el diario, tal vez en homenaje al pasado.

b) (…) Recordemos que hace 100 años la contabilidad incluía un libro borrador que es hoy ya sólo pieza de museo. Las balanzas de comprobación que molestan a los estudiantes van, también, camino del olvido.

c) El método de mercancías generales. En desuso desde hace muchos años salvo en las pequeñas tiendas de provincia, pero que muchos textos mencionan, que muchos programas de estudio todavía incluían a finales del siglo pasado y que algunos profesores ingenuos preguntan si deben explicar. Con el avance de la tecnología no sería extraño que en cinco o 10 años el mismo procedimiento pormenorizado o analítico deje de enseñarse y que todas las empresas manejen sus productos por inventario perpetuo.

d) El excesivo énfasis en el registro contable. La enseñanza de la contabilidad estuvo centrada durante muchos años en numerosos ejercicios con gran cantidad de operaciones, que el alumno debía resolver hasta mecanizar los procedimientos. (…) Ahora, se reduce el número de ejercicios a lo indispensable, para pasar lo más pronto posible a la toma de decisiones basada en las cifras contables. Simplemente debemos cuidar de no exagerar este cambio y querer que se tomen decisiones sin conocimiento de lo que hay tras los números de la contabilidad.

e) La simplificación de procedimientos. La electrónica vino a cambiar algunos aspectos de procedimientos que finalmente afectaron los conceptos que había tras ellos. Muchas empresas cobran, pagan, reciben pedidos, facturan y realizan otras muchas actividades de manera electrónica. Lo anterior obliga a olvidar rutinas y a modificar flujos de operaciones y de información que hoy son totalmente distintos. Los conceptos en que todo esto se basaba han sido también rebasados y se explican de manera muy diferente.

f) La excesiva antigüedad de algunos conceptos. La contabilidad es sacudida una vez cada generación por algún cambio importante, pero eso no obsta para que a veces los profesores nos volvamos mecánicos en la explicación y pensemos que nuestros conceptos son inmutables, las nuevas Normas de Información Financiera están cambiando muchos tópicos que tenían hasta más de 40 años sin haber sido modificados.

Faculdades particulares

agosto 27, 2007

Faculdades em crise burlam leis trabalhistas Professores deixam de receber direitos como 13.º e, às vezes, são obrigados a se organizar em cooperativas
Eduardo Nunomura
O Estado de São Paulo – 26/08/2007

Patrão que atrasa salário, não deposita férias ou 13º, usa cooperativas para maquiar relações trabalhistas, substitui profissionais experientes por novatos, faz o que pode para cortar custos. A situação retrata um profissional que até poucos anos atrás ficou imune a esse problema, o professor universitário. “É um desastre”, resume o secretário do ensino superior do Ministério da Educação, Ronaldo Mota.

Instituições privadas com dificuldades têm enfrentado as crises financeiras recentes como qualquer outra empresa. Cortam os maiores custos, no caso, os professores. Elas adotam diversas estratégias que já preocupam a Câmara do Ensino Superior, sindicatos, educadores e estudantes. “Está em curso um processo muito perigoso de terceirização, que afunda a qualidade da educação”, avalia Mota. A Universidade Braz Cubas, de Mogi das Cruzes (SP), foi condenada no mês passado a pagar R$ 500 mil ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) por contratar professores usando cooperativas. Só em São Paulo, o sindicato dos professores denunciou dez instituições pela mesma manobra. Até o sindicato patronal se preocupa. “Não sou favorável, não indico, nem aprovo, mesmo se fosse legal”, diz o presidente do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp), Hermes Ferreira Figueiredo. Assim, as instituições deixam de arcar com direitos trabalhistas básicos, como férias, 13º, INSS, FGTS.

Para reduzir a remuneração, algumas criam novos planos de carreira com carga horária menor. A redução chega a 50%. O docente, pressionado pelo fantasma do desemprego, aceita. Com o aumento de professores com títulos de doutor e mestre no mercado, as escolas demitem os que têm mais tempo de casa e contratam outros para começar a carreira. Pagando menos.

Laura Beluzzo de Campos Silva e Marli Warde eram docentes havia 16 e 11 anos, respectivamente, na Universidade São Marcos, instituição de 37 anos que desde 2006 mergulhou numa crise. Em junho, a escola demitiu 55 professores. Eles acusam a universidade de não depositar o FGTS nem recolher o INSS, atrasar salários. “Chegaram a propor que o professor trouxesse recursos para bolsas de pesquisa”, diz Laura. O diretor de comunicação institucional da São Marcos, Julio Moreno, afirma que um terço dos demitidos está em vias de fechar acordo. Em Minas, a Escola Promove demitiu quase 800 docentes e, para não pagar os direitos, pediu falência. Em seguida, outro grupo, o Soebras, adquiriu as unidades e desconsiderou as dívidas. Com medo de ficar de mãos vazias, os professores aceitaram fazer acertos perdendo de 30% a 40% do que lhes era devido. “A partir do momento em que o governo autoriza, tem de fiscalizar os cursos”, diz o presidente do sindicato mineiro, Gilson Reis. De acordo com Ronaldo Mota, o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior cumprirá essa missão. “Temos todo o interesse em dificultar o recredenciamento das instituições que adotam essas práticas de precarização do trabalho docente”, diz.