Archive for the ‘IPO’ Category

Links do WSJ

fevereiro 27, 2008


1. O anúncio nos tempos dos programas gravados

2. Babaçu e água de alga doce podem ser combustível de avião

3. Abertura de capital da Visa

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IPO numa empresa familiar

dezembro 11, 2007

Uma reportagem interessante da Gazeta Mercantil

IPO tem custo alto IPO para empresa familiar

São Paulo, 11 de Dezembro de 2007 – Nestes tempos de elevada liquidez nos mercados financeiros, os benefícios da abertura de capital têm sido amplamente alardeados, mas os problemas que pode acarretar para a empresa familiar têm sido pouco discutidos. Este ano, das 49 companhias que abriram o capital – essas operações movimentaram R$ 62 bilhões -, a maioria era de origem familiar.

A abertura de capital implica em custos nem sempre lembrados na hora de optar pela alternativa, afirma Alex Novellino, consultor e pesquisador da Prosperare, consultoria especializada em empresas familiares. Os mais preocupantes são honorários pagos para auditoria externa e consultores, custos de publicação de balanços e outras informações, gastos para contratar e manter uma diretoria de relacionamento com o mercado, entre outros. Esses custos costumam variar de US$ 1 milhão a US$ 2 milhões por ano, conta o consultor.

Existem, também, outros custos e riscos adicionais, difíceis de se mensurar, que são potencialmente maiores que os custos tangíveis citados anteriormente. “Primeiro há a divulgação de informações sobre o patrimônio, remuneração e nomes dos sócios da família controladora da empresa. Essa publicidade traz riscos não só à segurança física desses sócios e seus familiares, mas também ao vínculo emocional que estes têm com as pessoas de seu convívio social, que poderão sentir-se ressentidas, ou ainda incomodadas, com o súbito enriquecimento da família”, ressalta.

Em segundo lugar, conta o consultor, há o impacto psicológico que a divulgação do valor do patrimônio da família pode ter sobre seus membros. “É um desafio evitar que isso atrapalhe a educação da próxima geração, ou ainda, lidar com os impulsos de consumo de alguns dos membros da família. Se os sócios atuais não conseguirem transmitir esses valores e essa riqueza intangível aos seus sucessores, o futuro patrimônio tangível também estará sob risco”, afirma.

Existe ainda a questão da maior transparência . “Concorrentes, fornecedores, clientes, sindicatos, entre outros, que antes tinham acesso limitado às informações estratégicas de sua empresa, também passarão a ter acesso aos dados financeiros e mercadológicos – como margens, estrutura de custos, volumes, entre outros -, que são compartilhados com os analistas do mercado financeiro.”

Os benefícios são bastante conhecidos. Entre eles, Novellino cita maior acesso ao capital para financiar o crescimento da empresa; liquidez para os acionistas da família controladora que queiram vender suas ações; maior visibilidade para seus produtos, aumento de sua reputação; maior atratividade para recrutar executivos profissionais; maior disciplina na elaboração e apresentação dos resultados da empresa, conforme exigência dos órgãos reguladores do mercado e dos acionistas minoritários; além de maior transparência perante todos os sócios, familiares ou não.

(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados – Pág. 4)(Lucia Rebouças)

Links

novembro 16, 2007

1. Ilusão da transparência =>

2. Existe razão para os engenheiros serem terroristas?

3. Novo índice mede o desempenho das IPOs brasileireas =>

3. As pesquisas em Finanças Comportamentais

4. No te callas

Bovespa Holding

outubro 29, 2007

O lançamento de ações da Bovespa foi considerado um sucesso. Foi a maior oferta de ações (IPO) da história do País (R$6,6 bilhões) e reflete a força do mercado de capitais no Brasil. (Fonte: É dia de glória’, diz Magliano Presidente da Bovespa Holding festeja primeiro pregão, Daniela Milanese Ana Paula Ragazzi, Estado de S. Paulo, 27/10/2007).

Para o investidor que fez a subscrição ocorreu uma valorização de 52,13%, afetando o comportamento do mercado. Alguns dados interessantes:

=> O volume negociado na Bolsa ao longo do dia foi o maior já registrado num único pregão: R$ 10,1 bilhões, metade só com ações da holding.
=> O Índice Bovespa subiu 3,1%, atingindo o recorde de 64.275 pontos.
=> A cotação do dólar caiu para R$ 1,769, menor valor desde abril de 2000.
=> Investidores estrangeiros foram os responsáveis por 80% da compra de ações da holding, criando a expectativa de que o dinheiro que vai entrar no Brasil para o pagamento dos papéis derrubará ainda mais o valor da moeda americana.
(Ações da Bovespa sobem 52% no dia do lançamento Sucesso dos papéis da Bovespa Holding faz bolsa bater recordes de pontuação e volume de negócios, O Estado de São Paulo, 27/10/2007)

A grande controvérsia foi o estabelecimento de um filtro para afastar especuladores que compram papéis no primeiro dia e os vende no dia seguinte, geralmente com um lucro significativo.

(…) O flipper reserva ações de empresas que debutarão em bolsa de valores e as vende já no primeiro dia de negociações com o papel. Como, em geral, a procura por novas ações é grande, esse investidor tende a obter lucro com a operação. No entanto, do ponto de vista das empresas, a transação pode ser danosa, pois a venda de papéis pressiona a cotação para baixo. “É um tipo de especulação que, pelo momento no qual ocorre, não é saudável”, afirmou Edson Garcia, superintendente da Associação de Investidores no Mercado de Capitais (Amec).
Filtro para afastar especulador pode se tornar padrão FINANÇAS Para especialistas, mecanismo usado pela Bovespa deve ser adotado em futuras aberturas de capital
Leandro Modé – O Estado de São Paulo 27/10/07

Um dos grandes ganhadores foi o Bradesco:

A Organização Bradesco vendeu parte de sua participação no capital da Bovespa Holding, no âmbito da oferta pública inicial, obtendo lucro antes dos impostos de cerca de R$ 178 milhões.
Bradesco lucra R$ 178 milhões na operação – O Estado de São Paulo – 27/10/07

Mas será que como investimento a Bovespa é interessante. Aqui uma discussão sobre isto

A sedução do mercado brasileiro

outubro 26, 2007

Uma reportagem na The Economist de ontem (The view from cloud nine, 25/10/2007) tenta explicar a razão pela qual o Brasil parece um mercado emergente interessante. O texto destaca a redução da taxa de juros, a melhoria na governança e as finanças públicas (incluindo os preços dos commodities). Para a revista, a onda de IPO foi boa para a governança. O texto completo encontra-se aqui

Irônico, não?

outubro 24, 2007

Segundo notícia publicada ontem (aqui), a Bovespa Holding terá que mudar sua oferta de ações (IPO), dando dois dias para os investidores que fizeram reserva de ações para desistir, diminuir ou aumentar seu pedido.

Isto foi uma exigência da CVM diante do fato de que os bancos que participam do lançamento da ação teriam fornecido informações adicionais a investidores.

No prospecto preliminar, a faixa de preço estimada inicialmente pelos bancos coordenadores era entre R$ 15,50 e R$ 18,50. A nova faixa deve ficar entre R$ 19,00 e R$ 23,00. Os novos valores devem ser alterados nesta terça e comunicados ao mercado. A nova faixa de preços é reflexo da alta demanda pelas ações da Bovespa.

Links

outubro 19, 2007

1. O Iguatemi é um exemplo de ação que está indo bem, quando a Bovespa vai mal “O Ibovespa caiu quase 2% e IGTA3 subiu 6%, o resto dos papéis do segmento ficaram no zero a zero”

2. Sobre a concessão das rodovias – a diferença nos resultados pode ser explicada por quem paga a conta: o usuário (modelo anterior) ou a sociedade (modelo atual)

3. A influência dos IPOs no câmbio

4. Número de médicos por habitantes – um gráfico muito interessante

Abertura do Capital

outubro 3, 2007

Vale a pena abrir o capital?
Gazeta Mercantil – 03/10/2007

(…) A primeira coisa para se ter em mente antes de cogitar a abertura de capital é que o custo de capital próprio é mais caro que o de dívida. Uma companhia que não possui dívidas dificilmente está fazendo a melhor opção ao procurar o mercado.

Naturalmente, existe um limite para a alavancagem de uma companhia e se a necessidade de capital for muito grande em relação ao tamanho da própria companhia, aí sim, seria importante buscar a abertura de capital. (…)

É praticamente desnecessário dizer, mas, se vai ser feita uma captação de recursos, é preciso ter um plano para utilizar esse dinheiro, ponto que tem sido cada vez mais crítico para os investidores porque muitas empresas que fizeram a operação de abertura de capital continuam com o dinheiro captado em caixa.

Outro ponto relevante para uma companhia pensando em abrir o capital é que suas contas terão que ser aprovadas em auditoria. Claro que isso envolve uma questão de processos e rotinas contábeis, mas isso é relativamente simples de resolver – apesar de consumir bastante tempo e trabalho.

Por outro lado, isso quer dizer que a empresa não poderá mais manter “esqueletos no armário” de qualquer tipo, o que é um grande problema para determinadas companhias médias. Desse modo, todo faturamento da empresa deverá ser devidamente contabilizado, todos os impostos deverão ser pagos religiosamente e não poderá haver pendências trabalhistas ou jurídicas relevantes. Para determinados setores que operam fortemente embasados em caixa dois e evasão fiscal, corrigir esses pontos seria o fim de suas operações ou, no mínimo, uma redução drástica de sua rentabilidade. De um modo ou de outro, essas questões podem inviabilizar ou pelo menos atrasar a operação.

(…) Uma vez aberta, a companhia não é mais uma companhia pertencente ao sócio controlador. Como o próprio nome sugere, ele pode continuar a ser o controlador, até pelo seu expertise, mas não é mais o único dono, ele passa a ter sócios. Uma vez que você tem sócios, não se pode mais administrar a companhia como se fosse uma extensão de sua casa.

Isso quer dizer que decisões de gestão que antes eram tomadas individualmente segundo a lógica do controlador, agora precisam ser submetidas ao escrutínio dos sócios.

Não estamos sequer falando de empresas que mandam o técnico da companhia trocar a lâmpada de casa – esse exemplo mostra uma empresa completamente não profissional e sequer deveria cogitar abrir o capital. Um exemplo que poderia ser considerado legítimo antes da abertura seria o controlador decidir a distribuição de dividendos segundo suas necessidades de caixa. Após a abertura, o critério de distribuição de lucros precisa ficar mais clara e profissional para os demais sócios do que, simplesmente, “quando o controlador precisar de dinheiro”. Esse critério de distribuição de lucros tem que estar ligado às necessidades de investimento da companhia aberta, à sua geração própria de caixa, entre outros fatores. (…)

(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados – Pág. 4, Márcio Veríssimo)

Seleção natural nas IPOS

agosto 30, 2007

A análise dos dados é simples, pois ignora os efeitos posteriores (de médio e longo prazo) das IPOs. Mas a questão se a crise imobiliária afeta ou não o mercado de novas ofertas de ações no Brasil já foi comentado anteriormente.

Seleção natural
Valor Econômico – 30/08/2007
A crise financeira internacional começou a corrigir alguns dos excessos de “exuberância” no mercado brasileiro. Segundo levantamento da consultoria Capital Partners, as empresas obtiveram em suas aberturas de capital um múltiplo médio – calculado a partir da relação preço/lucro líquido (P/L) – de 73,4 vezes, enquanto as grandes companhias do Ibovespa têm um índice médio de 14,7. A amostra tem 95 empresas que abriram o capital desde 2000. O P/L dá uma idéia de quantos anos o investidor levaria para obter o retorno do investimento e, quanto menor, mais barata está a ação. “Essas empresas terão que entregar aos investidores um crescimento extraordinário para fazer face a esses múltiplos, muitas vezes maiores que os de empresas de mercados maduros”, afirma Paulo Esteves, sócio da Capital Partners. O ágio sobre o valor patrimonial obtido nas ofertas de ações no Brasil chegou a níveis altos até mesmo para o mercado japonês, onde as taxas de juros são negativas.

(…) Chama a atenção na amostra o grande número de companhias com prejuízo depois de abrir o capital. E o pior: em vários casos, foi justamente o custo do IPO – taxas aos bancos, advogados etc – que levou a companhia ao vermelho. Jorge Simino, diretor da Fundação Cesp, diz que registrar prejuízo porque pagou a abertura de capital não é normal. “É como dizer que estourou o orçamento do mês porque foi comer no McDonald’s”, afirma. “Isso indica que ou a empresa não tinha porte e retorno suficiente para ir à bolsa, ou que há algum problema de gestão.”(…)

Quanto maior a participação de estrangeiros no IPO, mais prejudicadas foram suas ações durante a crise. Fundos hedge desesperados pela falta de liquidez no auge da crise saíram vendendo ativos em todo mundo, o que pode ter contribuído para quedas exageradas de alguns papéis, apesar de resultados e gestão positivos. Esse fator foi o principal a afetar as “blue chips” brasileiras.A valorização de algumas companhias mostra, entretanto, que a questão não é de aversão total a risco, mas de seletividade.

Mas a reportagem faz um alerta interessante para o custo de abrir o capital.

Duas posições sobre a IPO: Otimista

agosto 28, 2007

É interessante observar a guerra de palavras sobre o mercado das IPOs (oferta pública de ações). De um lado, uma visão otimista, de que a crise no mercado mundial não afetará os novos lançamentos. Veja a reportagem do Valor


Volume de trabalho deve seguir em alta
Valor Econômico – 28/08/2007

Além da previsão de que os negócios com abertura de capital continuarão firmes tanto no segundo semestre deste ano, quanto no ano que vem, as auditorias estão animadas com a projeção de ganhos com os serviços de pré e pós-oferta pública. Deloitte, PricewaterhouseCoopers (PwC), Terco e BDO relataram que um número bem maior do que aquelas cerca de 50 empresas que lançaram ações na primeira metade deste ano tem procurado os serviços de auditoria e de consultoria para se estruturarem com objetivo de fazer uma oferta. Além disso, as empresas que já abriram capital continuarão a ter que publicar suas demonstrações financeiras. “Como a maioria delas entrou no Novo Mercado, elas têm outras demandas para cumprir, como a reconciliação em US-Gaap (padrão contábil americano) e com IFRS (padrão internacional), além do balanço trimestral auditado para a CVM”, lembra Bruce Mescher, sócio da Deloitte.

Sobre as companhias que estão se preparando, Mescher afirmou que “a fila é grande” e que a demanda deve “continuar aquecida nos curto e médio prazos”. Fábio Cajazeira, da PwC, recorda que a elaboração para a abertura de capital envolve vários serviços, como a preparação de sucessão familiar, o planejamento fiscal e o apoio para formação da estrutura de governança corporativa da companhia. Segundo Henrique Campos, da BDO Trevisan, o mercado de candidatas a abertura de capital é o que mais está crescendo. “O ‘investment grade’ está chegando e o caminho para a bolsa é irreversível. As empresas sabem que se ficarem paradas serão engolidas. Por isso estão se preparando para irem ao mercado”, afirma.Mauro Terepins, presidente da Terco, diz que muitas delas querem ser auditadas para conseguir investimentos de fundos de participação e empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Para Terepins, o mercado está cada vez mais dividido entre dois tipos de empresas. “Tem aquelas que são auditadas e aquelas não são e ficam fora do jogo”, diz.

Esta é uma visão claramente otimista, baseada em pesquisa com empresas de auditorias. A mensagem é: “o interesse continua”. Outra reportagem neste sentido, também no Valor Econômico, mostra a mesma visão:

Ofertas esquentam mercado de auditoria
Valor Econômico – 28/08/2007

O movimento crescente de companhias em processo de abertura de capital, um filão explorado por bancos, escritórios de advocacia e consultorias, não deixou de fora as firmas de auditoria. Apesar de o “boom” provocado pela forte demanda de empresas interessadas em ir à bolsa confirmar a concentração do mercado nas mãos das chamadas “Big Four” – (…) ainda sobra trabalho para firmas menores. Todas estão de olho em honorários que variam, em média, de R$ 500 mil a R$ 1 milhão por operação, de acordo com a quantidade de horas trabalhadas por oferta.As quatro grandes auditaram os balanços de 47 das 55 empresas que fizeram ofertas de ações este ano no Brasil (incluindo operações de empresas já abertas).

Essa participação equivale a 85,45%, nível superior ao que essas firmas possuem em relação ao total de companhias já abertas no país, que estava em 56% no final de 2006, segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A concentração é reflexo do domínio que as quatro grandes têm do mercado internacional. Na busca de recursos, principalmente entre investidores estrangeiros (que têm comprado de 60% a 70% das ações vendidas nessas operações), é natural que as empresas queiram uma “marca” de auditoria mais conhecida. No mercado, comenta-se que haveria também uma pressão dos bancos coordenadores dos lançamentos em favor das grandes.(…) Para Sérgio Bendoraytes, sócio da firma, a questão “não é de qualidade do trabalho, mas de ‘placa internacional'”. “Se [o banco] não tivesse mudado, não conseguiria fazer a oferta”, afirma Bendoraytes. Ele conta ainda que, antes da abertura de capital, o fato de a auditoria não ser uma Big Four foi um dos fatores que impediram que o Cruzeiro do Sul fizesse uma emissão de 10 anos no mercado internacional. Nem mesmo a associação com a firma internacional Horwath lhe garante uma participação mais expressiva nesse mercado. “Eles não querem a sétima maior [referindo-se à posição da Horwath], tem que ser uma das quatro”, diz. Segundo ele, insistir em atuar nesse mercado é querer dar “murro em ponta de faca”. “Não crio expectativas de participar de ofertas públicas. Cada um tem que procurar o seu nicho, o que no nosso caso são os clientes de médio porte”, afirma.

O foco da reportagem é evidentemente a concentração das empresas de auditorias. Mas não deixa de existir uma mensagem otimista.