Archive for the ‘Oferta pública de ações’ Category

Seleção natural nas IPOS

agosto 30, 2007

A análise dos dados é simples, pois ignora os efeitos posteriores (de médio e longo prazo) das IPOs. Mas a questão se a crise imobiliária afeta ou não o mercado de novas ofertas de ações no Brasil já foi comentado anteriormente.

Seleção natural
Valor Econômico – 30/08/2007
A crise financeira internacional começou a corrigir alguns dos excessos de “exuberância” no mercado brasileiro. Segundo levantamento da consultoria Capital Partners, as empresas obtiveram em suas aberturas de capital um múltiplo médio – calculado a partir da relação preço/lucro líquido (P/L) – de 73,4 vezes, enquanto as grandes companhias do Ibovespa têm um índice médio de 14,7. A amostra tem 95 empresas que abriram o capital desde 2000. O P/L dá uma idéia de quantos anos o investidor levaria para obter o retorno do investimento e, quanto menor, mais barata está a ação. “Essas empresas terão que entregar aos investidores um crescimento extraordinário para fazer face a esses múltiplos, muitas vezes maiores que os de empresas de mercados maduros”, afirma Paulo Esteves, sócio da Capital Partners. O ágio sobre o valor patrimonial obtido nas ofertas de ações no Brasil chegou a níveis altos até mesmo para o mercado japonês, onde as taxas de juros são negativas.

(…) Chama a atenção na amostra o grande número de companhias com prejuízo depois de abrir o capital. E o pior: em vários casos, foi justamente o custo do IPO – taxas aos bancos, advogados etc – que levou a companhia ao vermelho. Jorge Simino, diretor da Fundação Cesp, diz que registrar prejuízo porque pagou a abertura de capital não é normal. “É como dizer que estourou o orçamento do mês porque foi comer no McDonald’s”, afirma. “Isso indica que ou a empresa não tinha porte e retorno suficiente para ir à bolsa, ou que há algum problema de gestão.”(…)

Quanto maior a participação de estrangeiros no IPO, mais prejudicadas foram suas ações durante a crise. Fundos hedge desesperados pela falta de liquidez no auge da crise saíram vendendo ativos em todo mundo, o que pode ter contribuído para quedas exageradas de alguns papéis, apesar de resultados e gestão positivos. Esse fator foi o principal a afetar as “blue chips” brasileiras.A valorização de algumas companhias mostra, entretanto, que a questão não é de aversão total a risco, mas de seletividade.

Mas a reportagem faz um alerta interessante para o custo de abrir o capital.

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Duas posições sobre a IPO: Pessimista

agosto 28, 2007

Na postagem anterior (aqui) uma visão otimista do mercado de IPOs. Agora uma reportagem do dia anterior, publicada no Estado de S. Paulo e no Jornal do Commercio, pessimista. Aponta uma crise no setor:


Crise internacional freia a onda de IPOs na Bovespa
Patrícia Cançado e Ricardo Grinbaum
Jornal do Commércio do Rio de Janeiro – 27/08/2007

Os recentes tremores no mercado financeiro trouxeram uma nova preocupação para as empresas e os bancos de investimentos brasileiros. Muitos deles foram pegos no contrapé, quando se preparavam para abrir capital e vender suas ações na Bolsa de Valores. Pelas contas de Alfried Plöger, da Associação Brasileira de Companhias Abertas (Abrasca), o número de estréias na Bolsa (IPOs, sigla em inglês para oferta inicial de ações) não vai mais chegar a 70, como se previa. Do início do ano até agora, já foram feitas 49 ofertas.

“Mesmo que se queira, dificilmente se conseguirá vender tantos papéis”, diz Plöger. Ou, em outras palavras: “O gato subiu no telhado, nenhum banco aconselharia uma empresa a vender ações agora”, diz o advogado Luiz Octavio Lopes, do escritório Mattos Filho. Para Lopes, a festa de dinheiro farto, que incentivou todo tipo de empresa a vender ações, perdeu o gás. “Está claro que é um novo mercado, os investidores provavelmente estarão mais seletivos e mais duros.”

Ninguém sabe ao certo o quanto mudou o humor do mercado, mas, por via das dúvidas, as empresas estão pensando em planos alternativos. É o caso da rede de supermercados G. Barbosa, do Nordeste. Seu dono, o fundo de investimentos americano Acon, estudava duas alternativas para vender a empresa: uma oferta de ações na Bolsa ou uma negociação com alguma grande rede, como Pão de Açúcar, Wal-Mart ou Carrefour. Agora, a segunda opção ficou mais próxima.

“O IPO desacelerou.O que se questiona é se o momento é adequado para entrar na Bolsa”, diz uma fonte ligada às negociações. O medo dos donos do G. Barbosa é não conseguir vender a empresa na Bolsa de Valores pelo que eles acham que ela vale, entre US$ 300 milhões e US$ 400 milhões.

A empresa de shopping centers Aliansce, que tem como um de seus principais sócios a Gávea, do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, estava fazendo seu “road show” – apresentação a investidores – no dia em que as bolsas desabaram. A Aliansce cancelou os compromissos e pediu à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para interromper o processo. O pedido de abertura de capital foi suspenso por 60 dias. É tempo suficiente para avaliar se o mercado vai se recuperar ou não. Adiar ou cancelar um processo de abertura de capital tem seus custos – e eles podem ser ainda mais altos que se imagina. Antes da crise, havia dinheiro fácil para as empresas se prepararem para o IPO. Num ambiente feroz de competição, os bancos de investimentos vinham emprestando muito dinheiro para engordar as empresas e deixá-las mais atraentes na hora de vender ações. Esse tipo de operação é conhecida, em geral, como ponte para o IPO. Enquanto o mercado ia bem, o pagamento da dívida e das comissões dos bancos estava garantido porque era descontado do dinheiro levantado na venda de ações.

O risco dessa operação é que a ponte não leve a lugar nenhum, uma vez que não haja ambiente para abrir capital. Nesse caso, as empresas podem ter dificuldade para pagar os empréstimos e os bancos ficarem com um mico em suas carteiras. Empresas que já pegaram dinheiro emprestado para se preparar para um IPO podem ser levadas a mudar de estratégia.

No início do ano, o banco mineiro Bonsucesso e seus donos – a família Pentagna Guimarães – pegaram dois empréstimos, no valor de R$ 230 milhões, com o banco de investimentos UBS Pactual. O Bonsucesso estava às vésperas de abrir o capital quando a crise estourou. O IPO não saiu.

Segundo o Bonsucesso, o banco perdeu o prazo para a entrega de documentos à CVM. Agora, deverá fazer nova tentativa só no final de setembro ou início de outubro, “devido à crise de liquidez”, diz o presidente do Bonsucesso, Paulo Henrique Pentagna Guimarães.

A questão agora é saber se os investidores terão o mesmo apetite que antes para comprar ações do Bonsucesso e, assim, dar os recursos necessários para pagar o UBS Pactual. O Bonsucesso não é o único caso. Um dos maiores bancos de investimentos do País emprestou mais de R$ 700 milhões em um ano para viabilizar aberturas de capital. Foi um sucesso. Por enquanto.

Observe que o foco da reportagem são os bancos e as empresas. A mensagem é: esperar.

Duas posições sobre a IPO: Otimista

agosto 28, 2007

É interessante observar a guerra de palavras sobre o mercado das IPOs (oferta pública de ações). De um lado, uma visão otimista, de que a crise no mercado mundial não afetará os novos lançamentos. Veja a reportagem do Valor


Volume de trabalho deve seguir em alta
Valor Econômico – 28/08/2007

Além da previsão de que os negócios com abertura de capital continuarão firmes tanto no segundo semestre deste ano, quanto no ano que vem, as auditorias estão animadas com a projeção de ganhos com os serviços de pré e pós-oferta pública. Deloitte, PricewaterhouseCoopers (PwC), Terco e BDO relataram que um número bem maior do que aquelas cerca de 50 empresas que lançaram ações na primeira metade deste ano tem procurado os serviços de auditoria e de consultoria para se estruturarem com objetivo de fazer uma oferta. Além disso, as empresas que já abriram capital continuarão a ter que publicar suas demonstrações financeiras. “Como a maioria delas entrou no Novo Mercado, elas têm outras demandas para cumprir, como a reconciliação em US-Gaap (padrão contábil americano) e com IFRS (padrão internacional), além do balanço trimestral auditado para a CVM”, lembra Bruce Mescher, sócio da Deloitte.

Sobre as companhias que estão se preparando, Mescher afirmou que “a fila é grande” e que a demanda deve “continuar aquecida nos curto e médio prazos”. Fábio Cajazeira, da PwC, recorda que a elaboração para a abertura de capital envolve vários serviços, como a preparação de sucessão familiar, o planejamento fiscal e o apoio para formação da estrutura de governança corporativa da companhia. Segundo Henrique Campos, da BDO Trevisan, o mercado de candidatas a abertura de capital é o que mais está crescendo. “O ‘investment grade’ está chegando e o caminho para a bolsa é irreversível. As empresas sabem que se ficarem paradas serão engolidas. Por isso estão se preparando para irem ao mercado”, afirma.Mauro Terepins, presidente da Terco, diz que muitas delas querem ser auditadas para conseguir investimentos de fundos de participação e empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Para Terepins, o mercado está cada vez mais dividido entre dois tipos de empresas. “Tem aquelas que são auditadas e aquelas não são e ficam fora do jogo”, diz.

Esta é uma visão claramente otimista, baseada em pesquisa com empresas de auditorias. A mensagem é: “o interesse continua”. Outra reportagem neste sentido, também no Valor Econômico, mostra a mesma visão:

Ofertas esquentam mercado de auditoria
Valor Econômico – 28/08/2007

O movimento crescente de companhias em processo de abertura de capital, um filão explorado por bancos, escritórios de advocacia e consultorias, não deixou de fora as firmas de auditoria. Apesar de o “boom” provocado pela forte demanda de empresas interessadas em ir à bolsa confirmar a concentração do mercado nas mãos das chamadas “Big Four” – (…) ainda sobra trabalho para firmas menores. Todas estão de olho em honorários que variam, em média, de R$ 500 mil a R$ 1 milhão por operação, de acordo com a quantidade de horas trabalhadas por oferta.As quatro grandes auditaram os balanços de 47 das 55 empresas que fizeram ofertas de ações este ano no Brasil (incluindo operações de empresas já abertas).

Essa participação equivale a 85,45%, nível superior ao que essas firmas possuem em relação ao total de companhias já abertas no país, que estava em 56% no final de 2006, segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A concentração é reflexo do domínio que as quatro grandes têm do mercado internacional. Na busca de recursos, principalmente entre investidores estrangeiros (que têm comprado de 60% a 70% das ações vendidas nessas operações), é natural que as empresas queiram uma “marca” de auditoria mais conhecida. No mercado, comenta-se que haveria também uma pressão dos bancos coordenadores dos lançamentos em favor das grandes.(…) Para Sérgio Bendoraytes, sócio da firma, a questão “não é de qualidade do trabalho, mas de ‘placa internacional'”. “Se [o banco] não tivesse mudado, não conseguiria fazer a oferta”, afirma Bendoraytes. Ele conta ainda que, antes da abertura de capital, o fato de a auditoria não ser uma Big Four foi um dos fatores que impediram que o Cruzeiro do Sul fizesse uma emissão de 10 anos no mercado internacional. Nem mesmo a associação com a firma internacional Horwath lhe garante uma participação mais expressiva nesse mercado. “Eles não querem a sétima maior [referindo-se à posição da Horwath], tem que ser uma das quatro”, diz. Segundo ele, insistir em atuar nesse mercado é querer dar “murro em ponta de faca”. “Não crio expectativas de participar de ofertas públicas. Cada um tem que procurar o seu nicho, o que no nosso caso são os clientes de médio porte”, afirma.

O foco da reportagem é evidentemente a concentração das empresas de auditorias. Mas não deixa de existir uma mensagem otimista.

Crise e Oferta Pública de Ação

agosto 17, 2007

O Valor Econômico faz uma reportagem sobre a crise a a oferta pública de novas empresas (Companhias mantêm seus planos de oferta pública e de aquisições, 17/08/2007). Como as tradicionais reportagens da imprensa, o jornal faz uma pesquisa em algumas empresas para verificar se continua o desejo de abrir o capital.

É óbvio que a crise indica que o momento adequado para a abertura do capital da empresa talvez tenha passado.

Remuneração e IPO

agosto 13, 2007

Um artigo no Valor Econômico (Os impactos da remuneração executiva nos processos de IPO, Valor Econômico – 13/08/2007) tenta vincular a oferta pública de ação a uma boa estrutura de remuneração. O início do texto destaca a situação atual do mercado de capitais, onde a oferta pública de ação (IPO) é destacada. A partir da questão do “grau de comprometimento dos executivos” da empresa que participa da IPO, o texto inicia-se um vínculo entre IPO e remuneração.

Uma das perguntas-chave, sempre feita por analistas, está relacionada ao grau de comprometimento dos executivos com o projeto e ao tempo de permanência deles no negócio. É preciso assegurar se aquele time ficará na companhia até a obtenção de resultados.

Entretanto, geralmente a empresa que faz a oferta pública de ação possui nos seus quadros pessoas vinculadas a “família” proprietária da empresa, geralmente parentes e pessoas de confiança dos donos. Mas o artigo tenta mostrar que mesmo assim, a política de remuneração é importante:

Sob este ponto de vista, um modelo de remuneração executiva de longo prazo é quase mandatório nos processos de IPO. Atrelado à valorização das ações ou ao retorno sobre o investimento, o enfoque da política de remuneração deve levar em conta os aspectos do mercado, mostrando o compromisso com o projeto apresentado e o dos executivos, garantindo que o sucesso do IPO proverá oportunidade de ganho justa para o profissional.E duas variáveis devem ser consideradas na elaboração da política de remuneração executiva: o valor e o tempo mínimo necessário de permanência do profissional na empresa. Companhias de origem familiar, por exemplo, têm uma visão de perenidade do negócio e adotam políticas com prazos maiores de retorno, aumentando a necessidade de reter os talentos por períodos mais longos.

O texto é de Leonardo Fialho Salgado, Hay Group.

Banco da Patagônia na Bovespa

junho 19, 2007

Notícia do Financial Times (Banco Patagonia to list on Bovespa, 18/06/2007, Jude Webber, p 22)

O Banco da Patagonia, da Argentina, está planejando ter ações na Bovespa, através da forma de Brazilian depositary receipts (BDRs)

Segundo Ben Ladler, do UBS Pactual in Chile

“In theory, it’s cheaper and easier to list in Brazil than in the US or the UK.”

Já Antonio Cejuela, brokerage Puente Hermanos, afirma:

“This (listing) highlights the evident supremacy of the Brazilian market,”

Oferta Pública de Ação

maio 24, 2007

Os especialistas enfatizam que a excelência em governança não garante a existência de um bom empreendimento empresarial. [grifo meu]

Do jornal Valor Econômico de 24/05/2007, sobre as recentes operações de lançamento de ações na bolsa. Clique aqui para ler integral

Mais espaço para OPA

abril 11, 2007

Segundo a opinião de Márcio Veríssimo, na Gazeta de 11/04/2007, ainda existe espaço para mais lançamentos de ações:

Longe de Saturado

(…) O mercado deve se tornar ainda mais pujante com as perspectivas positivas de redução de taxas de juros e de obtenção do grau de investimento pelo Brasil, tornando ainda mais atraente a opção pela renda variável, em detrimento da renda fixa. (…)

Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados – Pág. 4

Rússia

março 11, 2007

Segundo notícia da Agencia EFE (10/03/2007), as autoridades russas resolveram comprar briga com a filial russa da PricewaterhouseCoopers (PWC).

O Kremlin deseja retirar sua licença. Já a Casa Branca ameça obstruir as OPAs (Ofertas públicas de ações) da empresas russas na bolsa de Nova Iorque e Londres.

A briga começou com a Yukos, empresa de um desafeto do Kremlin. Os russos acusam a PWC de ajudar a Yukos, uma empresa na área de petróleo, a não pagar impostos. A PWC seria cúmplice da Yukos na falsificação da contabilidade no período de 2002 a 2004. Nesse período a PWC recebeu 145 mil dólares pelos serviços prestados.