Archive for the ‘telefonia’ Category

Fortuna de Slim e a ajuda do governo

agosto 30, 2007

Uma reportagem do NY Times, publicada no Estado, mostra uma visão da fortuna do bilionário mexicano Slim. Apesar de fazer uma comparação entre o valor de sua fortuna (que corresponderia, a grosso modo, ao ativo) com o PIB do México (que seria o equivalente a receita), uma comparação que os mais puristas não concordam, o texto é ilustrativo dos efeitos do oligopólio.

Fortuna de Slim cresce com ajuda do governo
Empresário ainda é dono de 90% da telefonia fixa no México
Eduardo Porter THE NEW YORK TIMES
O Estado de São Paulo – 29/08/2007

Mexicanos pagam acima da média pela telefonia e pelo acesso à internet

E no início deste mês a revista Fortune informou que Carlos Slim Helú, um mexicano, tinha ultrapassado Bill Gates, tornando-se o homem mais rico do mundo – corroborando uma informação que havia sido divulgada em julho pelo portal mexicano Sentido Común -, com uma fortuna avaliada em US$ 59 bilhões.

Para se ter uma perspectiva desse valor, o tesouro de Slim é equivalente a pouco menos de 7% da produção total de bens e serviços do México – US$ 1 para cada US$ 14 de bens produzidos por toda a população no país. (…)

Como um barão ladrão, um oligarca russo ou um executivo da Enron, Slim faz-nos lembrar as palavras de Honoré de Balzac: “Por trás de cada grande fortuna há um crime.” O pecado de Slim, mesmo que tecnicamente ele não seja um criminoso, é como o de Rockefeller, o pecado do monopolista. Em 1990, o governo do presidente Carlos Salinas de Gortari vendeu ao amigo Slim a empresa telefônica estatal mexicana Telmex, tendo sido firmado um compromisso de que ele ficaria com o seu monopólio por anos. E depois concedeu à Telmex a única licença nacional para explorar a telefonia celular.

Quando os concorrentes conseguiram finalmente entrar no mercado, a Telmex os manteve à distância usando alguns subterfúgios bastante criativos, como conseguir que um juiz emitisse um mandado de prisão contra o principal advogado de uma das empresas concorrentes. Hoje, a Telmex ainda controla 90% dos serviços de telefonia por linha terrestre e quase três quartos do mercado de telefonia celular no México.

EXPANSÃO

Os monopólios tendem a gerar muito dinheiro. Slim, um investidor astuto, utilizou esse dinheiro muito bem, comprando centenas de empresas mexicanas e entrando nos mercados de telefonia sem fio em toda a América Latina. Difícil passar um dia sem que um mexicano lhe propicie algum dinheiro.

Mas o México tem pago por isso, e muito. Em 2005, existiam menos de 20 linhas de telefone fixo para cada 100 mexicanos e menos da metade possuía telefones celulares. Apenas 9% das casas tinham acesso à internet. Os mexicanos pagam muito acima da média por todos esses serviços.

Telecom e Bolívia

maio 11, 2007

A Bolívia também pretende assumir os negócios de telecomunicações e, como tem sido praxe no governo Evo, reduzir o pagamento das indenizações. Agora é com a Telecom Itália. Só que esta empresa parece estar adotando uma estratégia diferente.

Conforme a AP Spanish, a Telecom Italia está pedindo ao governo boliviano uma auditoria independente internacional para verificar os investimentos feitos na Entel Bolivia.

Pese a ello, el gobierno insiste en denunciar que Telecom no invirtió los 610 millones de dólares pactados y que sólo aportó 466 millones; otros 144 se habían destinado a capacitación que el Ejecutivo no reconoce como inversión. Telecom insiste en que incluso invirtió 720 millones de dólares, 110 más que lo comprometido.

El viceministro de Coordinación Héctor Arce, uno de los miembros de la comisión, dijo a la prensa sobre el comunicado que “Telecom está reconociendo que hay temas que hay que averiguar”. “No es que como ellos mencionaron, que ya (un anterior gobierno) les había certificado toda su inversión”.

Telecom, entonces Stet, obtuvo el 50% de las acciones de Entel en 1995, que era del estado, a cambio del compromiso de inversión. La italiana, en la que ahora tiene acciones Telefónica Española, controla enteramente a Entel, a través de una subsidiaria llamada Euro Telecom Internacional N.V. (ETI), constituida en Holanda.

“En el transcurso de las reuniones entre la Comisión de Gobierno y Euro Telecom Internacional N.V. (…) la propia Comisión informó de la existencia de reportes de consultores contratados por la Superintendencia de Telecomunicaciones que muestran diferencias en los niveles de inversión ejecutados con relación a los montos reportados por la empresa”, señala la nota.

Se refiere al equipo de ministros y viceministros que el presidente Evo Morales formó para lograr la reestatización de Entel, y que ha acusado insistentemente a Telecom de mentir sobre las inversiones y de evadir impuestos.

El gobierno ha señalado que Telecom rompió unilateralmente las negociaciones, pero la compañía ha señalado que ellas ni siquiera se han iniciado, al solicitar que se desarrollen un Brasil o Estados Unidos “por falta de garantías” en Bolivia.

Parece que já vi este filme antes…

Clique aqui para ler sobre a última da Bolívia

Celular, avião e Contabilidade

abril 10, 2007

Quais as razões para não usar celular no avião? Telefones celulares interferem nos aparelhos eletrônicos, correto?

Não, segundo artigo da ComputerWorld.

O risco de interferência é algo testável, mas até o momento isso não ocorreu. Segundo o autor do artigo, Mike Elgan, nem o governo nem as companhias aéreas querem isso.

Para as empresas aéreas, permitir o uso de celular pode incentivar comportamentos indesejáveis dos passageiros. Uma notícia de atraso de vôo por conta de um temporal, como ocorreu comigo recentemente, pode ser verificada com uma ligação telefônica para um amigo que mora perto do aeroporto. (Neste caso, aparentemente, era mentira do comandante). Ou seja, as empresas preferem que os usuários fiquem na ignorância durante o vôo. (Isto também pode ser aplicado a contabilidade. Em certas situações, mais notícias não é desejável.)

Uma outra razão para resistência das empresas aéreas seria a necessidade de redesenhar o sistema de comunicação durante o vôo. Isto pode ser caro. Banir é mais barato.

Uma terceira razão para as empresas aéreas não serem simpatizantes do uso do celular é que no futuro as empresas pretendem implantar seus sistemas de comunicação. Banir é mais lucrativo, afirma Elgan.

Para o governo a discussão também é interessante, pois mostra que quando o governo percebe a possibilidade de ter custo com alguma regulação, é mais barato simplesmente adotar uma atitude extrema, geralmente proibir.

Um argumento decisivo do artigo:

Se 1% dos passageiros esquecem acidentalmente de desligar seus aparelhos, isso significa, só nos Estados Unidos, 20 mil aparelhos ligados por dia. Apesar disso, nenhum acidente registrado foi atribuído ao telefone celular.

Sinal de falta de governança

abril 9, 2007

Segundo o Valor Econômico (Teles têm maior “spread”, 9/4/2007)

As maiores diferenças de preços entre ordinárias e preferenciais estão hoje nas ações do setor de telefonia, já que é nele que se espera a troca de controle de várias companhias, como Brasil Telecom, Telemar, TIM e Vivo. As ONs de telefonia valem, em média, duas vezes as PNs. “Quanto maiores as chances de troca de controle, mais importante é o ‘tag along'”, diz Gustavo Harckbart, analista da Fides Asset Management. É exatamente por isso que aplicadores optam pelo porto-seguro das ON em teles.

Para um gestor de fundos, com o modelo de privatização, as teles puderam ser controladas com um percentual pequeno do capital total e tendo poucas preferenciais. “Isso potencializa muito o desalinhamento de interesses”, observa.

Dados da Economática mostram que, em junho de 2003, as ONs da Brasil Telecom Participações valiam 17,9% menos que as PNs. Já em março deste ano, valiam 124,3% mais. No caso das ordinárias da Telemar Participações, em dezembro de 2002, seus preços eram 26% menores que os das preferenciais e, no mês passado, estavam 114,2% acima.

Aplicar em preferenciais, no entanto, não é certeza de que você nunca receberá parte do que foi pago ao controlador no caso de compra da companhia. Seguindo as melhores práticas de governança corporativa, muitas empresas hoje já oferecem “tag along” às PN, às vezes até de 100%.

Uma Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mais ativa, como a de agora, tende a reduzir cada vez mais os abusos por parte das companhias, acredita Fábio Anderaos de Araújo, estrategista de renda variável para pessoa física da Itaú Corretora. “A atitude da CVM no caso do ‘tag along’ na Arcelor Brasil foi um divisor de águas, mostrando que a autarquia pode, na medida do possível, interferir na relação entre controladores e minoritários”, diz. Ele acredita que o próprio mercado caminha, gradualmente, para o melhor dos mundos: empresas apenas com ações ordinárias. (DC e CV)

Apple lança telefone

janeiro 10, 2007

Apple lança telefone celular que também funciona como iPod

A Apple Computer apresentou ontem mais um produto que promete revolucionar o mercado da tecnologia: um telefone celular com as mesmas funções do reprodutor de música digital iPod. O aparelho, batizado de iPhone, terá tela sensível ao toque e será vendido a US$ 599 na versão com 8 gigabytes de memória e a US$ 499 na versão com 4 gigabytes.

O presidente-executivo da Apple, Steve Jobs, disse que o iPhone deve chegar ao mercado norte-americano em junho deste ano. Os aparelhos devem chegar às lojas européias no quarto trimestre, e em 2008 devem começar a ser vendidos na Ásia.

Fonte: Estado

Vivo perde clientes

dezembro 27, 2006


Vivo perde clientes e fica com 29,5% do mercado

A Vivo voltou a perder clientes. Assim como havia ocorrido em setembro, a maior operadora de celulares obteve resultado negativo em novembro, segundo dados da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). De acordo com o levantamento mensal realizado pela agência, 96 mil usuários se desconectaram da empresa. O número de assinantes da Vivo passou de 28,789 milhões para 28,693 milhões.

Com isso, a participação de mercado da operadora permanece em queda: fechou novembro em 29,48%, contra 29,79% em outubro de 2006 e 34,54% de dezembro de 2005. A liderança da companhia é seguida cada vez mais de perto pela TIM, com 25,40% de participação de mercado. A TIM havia registrado um resultado de 25,23% em outubro de 2006 e 23,42% em dezembro do ano passado.

Desde dezembro de 2005, a diferença entre as duas maiores operadoras de celulares do País caiu de 11,12 pontos porcentuais para 4,08 pontos. Uma das principais explicações para a queda da Vivo é que a empresa adota a tecnologia CDMA, enquanto o sistema que mais avança no Brasil é o GSM. Para reagir, a Vivo está investindo R$ 1,08 bilhão na instalação de uma rede GSM.

O futuro das duas empresas é, porém, incerto. A TIM está à venda e deve haver uma reorganização societária na Vivo, que pertence à Portugal Telecom e à Telefónica.

A terceira colocada no ranking, a Claro, que é favorita na disputa pela TIM, também cresceu desde o ano passado. Hoje, a Claro tem 23,51% do mercado, contra 23,26% em outubro e 21,64% em dezembro de 2005.

A Oi, que pertence ao Grupo Telemar, tem 13,19% de mercado, contra 13,15% em outubro. Já a Telemig Celular e a Amazônia Celular caíram de 4,85% em outubro para 4,67% em novembro.
A sexta colocada no ranking nacional é a BrT GSM, que tem 3,25% do mercado (3,19% em setembro); a CTBC Telecom Celular detém 0,41% (0,44% em outubro); enquanto a Sercomtel Celular continua com 0,09% do mercado.

AUMENTO DA BASE
No mês de novembro, o mercado registrou a adição de 689,980 mil celulares, segundo a Anatel. O País fechou os primeiros onze meses do ano com 97,331 milhões de telefones móveis em operação, o equivalente a uma penetração de mercado de 51,92%.

A Anatel diz que a marca histórica de 100 milhões de celulares poderá ser atingida ainda em 2006, desde que o setor mantenha o ritmo de vendas no Natal, registrado nos últimos anos. Da base total, 78,489 milhões (80,64%) são pré-pagos e 18,841 milhões (19,36%), pós-pagos.

Fonte: Estado de S. Paulo, 27/12/2006

Mudam as prioridades nos celulares

dezembro 22, 2006


A alteração na regra do setor faz com que as operadoras passem a valorizar os clientes do pré-pago, anteriormente desprezados.

“especialmente aquelas pessoas que têm popularidade e recebem muitas ligações – voltaram a ser valorizados pelas teles. (…)

resultado das novas regras de interconexão na telefonia móvel, que entraram em vigor em meados deste ano e passaram a ter impacto nos balanços das companhias no terceiro trimestre.
A Anatel eliminou o chamado “bill & keep” parcial, no qual as teles faziam um acerto de contas somente entre o que excedia um determinado limite na interconexão (tarifa cobrada quando uma utiliza a rede da outra para completar uma chamada). Uma operadora só pagava quando as ligações originadas em sua rede ultrapassavam 55% do tráfego total entre ela e outra empresa.
(…)
Esse limite acabou. Agora, todas as receitas e todos os custos de interconexão são contabilizados. Os pacotes foram remodelados de acordo com a nova realidade, na qual receber ligações de uma outra rede tornou-se muito interessante, pois elas são uma fonte de receita de interconexão.
A nova regra do jogo, para qualquer operadora, é vender planos que incentivem o tráfego na própria rede e procurem estimular o recebimento de chamadas feitas por clientes de outras operadoras. Daí o valor que ganharam os “pais-de-santo”, já que eles são clientes que mais recebem do que fazem chamadas.
(…)
“Há clientes que só recebem. Estimulá-los é bom. A gente já vinha tentando fazer isso mesmo antes das mudanças”, diz o gerente de marketing de pré-pago da Vivo, Alex Kanfir. Ele acrescenta que adeptos dos planos de cartão não são sinônimo de clientes piores. Na operadora, 20% deles geram receita média mensal igual à dos assinantes pós-pagos.

(Valor Econômico, 22/12/2006)

Insegurança jurídica no Brasil

dezembro 19, 2006


As empresas de telefonia estão reclamando da insegurança jurídica no Brasil (Estado, 19/12/2006):

‘Dinheiro não tolera desaforo’

Operadoras de celulares reclamam de insegurança jurídica no Brasil

Gerusa Marques

O presidente da Associação das Operadoras Celulares (Acel), Ércio Zilli, criticou ontem a insegurança jurídica e regulatória para o setor de telefonia no País, que, segundo ele, contribuem para afugentar investidores. A indefinição de regras, segundo ele, também incentiva movimentos de fusão e concentração entre empresas, como a eventual venda da TIM para a Claro, que ocupam a segunda e a terceira posição entre as maiores empresas que operam no Brasil.

‘Dinheiro não tolera desaforo’, disparou Zilli, em entrevista coletiva. Além disso, diz, o mercado brasileiro não comporta quatro ou cinco operadoras de telefonia celular em cada região, como defende a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). No Brasil, operam três grandes grupos nacionais, Vivo, TIM e Claro, e empresas regionais, como a Oi, a Brasil Telecom, a Telemig Celular e a Amazônia Celular.

As operadoras, segundo a Acel, têm investido de 25% a 30% de sua receita todo ano na ampliação de suas redes e da cobertura dos serviços. Zilli disse que nos últimos cinco anos as companhias acumulam um déficit de R$ 8 bilhões em seu fluxo de caixa, uma vez que investiram R$ 38 bilhões e geraram R$ 30 bilhões em receitas. ‘Do ponto de vista do retorno, os movimentos de concentração são bastantes plausíveis e prováveis.’ (…)

Disputa na telefonia

novembro 8, 2006

Ainda persiste a disputa na telefonia. O setor passa por um processo de consolidação e isto significa uma redução na competição a médio prazo. Agora temos a oferta da America Movil pela TIM, de quase 8 bilhões de dólares:

Oferta da América Móvil pela TIM é de US$ 7,7 bilhões

Proposta teria ficado abaixo da faixa de 7 bilhões a 9 bilhões anunciadas pelos italianos

Graziella Valenti, Ricardo Grinbaum

A América Móvil, que pertence ao empresário mexicano Carlos Slim Helú e é dona da Claro, ofereceu à Telecom Italia US$ 7,7 bilhões pela operadora de celulares TIM Brasil. O valor se refere às ações da Telecom Italia na TIM, cerca de 70% do total da companhia.

Em setembro, a Telecom Italia havia afirmado que esperava obter entre 7 bilhões (US$ 9 bilhões) e 9 bilhões (US$ 11,5 bilhões) pelo controle da segunda maior operadora de telefonia celular brasileira.

A atual oferta avalia cada um dos 24,101 milhões de clientes da TIM a US$ 319. É menos do que a Claro pagou pela BCP em 2003. A operadora tinha 1,7 milhão de assinantes e foi comprada por US$ 650 milhões, o que corresponde a US$ 367 por cliente. Hoje, o assinante da Vivo vale US$ 315, levando-se em conta o valor de mercado da empresa. Toda a Telemar, incluindo os serviços de telefonia fixa, celular (Oi) e banda larga está avaliada em R$ 17 bilhões (US$ 7,9 bilhões).

Na segunda-feira, a Telecom Italia anunciou que iniciou a análise de duas propostas não-solicitadas para compra do controle das operações no Brasil. O grupo mexicano formado por América Móvil e Telmex, dono da Claro e da Embratel, controlado por Slim, seria um dos candidatos. No começo deste ano, os executivos do grupo já haviam ensaiado o discurso de serem líderes em celulares no País. O Brasil é peça-chave na disputa da gigante mexicana com a espanhola Telefónica pelo mercado latino-americano.

A Brasil Telecom poderia ser a outra interessada na TIM Brasil, de acordo com pessoas próximas à companhia. A operadora – controlada pelos fundos de pensão junto com o Citigroup e que até pouco tempo era alvo de aquisição da mesma Telecom Itália – teria estudado a investida em parceria com a Telefónica ou com a Telemar. Mas, de acordo com fontes ligadas ao negócio, o grupo espanhol demonstrou ter mais interesse na empreitada _ até porque a Telemar está em meio a um processo de reestruturação. A compra da TIM poderia, até mesmo, envolver a compra pelo grupo espanhol da participação minoritária dos italianos na empresa fixa.

O analista da Ágora Corretora, Alexandre Garcia, acredita que a disputa se dará mesmo entre os grupos que já atuam no Brasil. Para ele, as operações locais estão em um momento de grandes mudanças, em um cenário de margens de lucro comprimidas pela elevada competição, especialmente em celulares. Tudo isso reduz a atratividade para grupos internacionais que ainda não operam aqui e teriam de enfrentar a Telefónica e a Telmex.

Para ele, faria sentido a Telefônica adquirir a TIM junto com a Brasil Telecom. O grupo espanhol poderia ficar com a fatia dos italianos nas operações fixas e ainda levar a operação móvel. Com isso, a Telefônica passaria a deter um possível direito de preferência pela compra do comando da empresa de telefonia fixa e reduzir o problema da convergência com celular que hoje a sociedade na Vivo, maior operadora celular do País, com a Portugal Telecom representa. Hoje, as sinergias entre as empresas não são aproveitadas justamente porque a companhia tem de dividir, em igualdade de condições, as receitas com o grupo português.

Até pouco tempo atrás, a crença predominante era de que a Telefônica ficaria sozinha no comando da operação móvel, após adquirir a parte da Portugal Telecom – seja dos atuais administradores ou do Sonaecom.

Na opinião do especialista do Unibanco Research, André Rocha, o possível interesse da Telefónica pela TIM não significaria abrir mão da Vivo. Ao contrário, para ele, o objetivo seria justamente expandir a atuação e consolidar escala na infra-estrutura e na base de assinantes.

Vivo acusada de pirataria

outubro 17, 2006

A empresa telefônica Vivo está sendo acusada de pirataria de software. A empresa está sendo acusada de usar sem autorização um software da empresa frances Four J´s. A seguir a notícia publicada no Valor Econômico de hoje sobre o caso:


Justiça penhora conta da Vivo

Josette Goulart
A empresa de telefonia celular Vivo está há um ano às voltas com um processo na Justiça paulista em que é acusada de pirataria por supostamente usar sem autorização um software que comandaria toda a sua base de atuação no sistema pré-pago. Até agora, o resultado da disputa judicial com a empresa francesa Four J’s, dona do software, foi uma penhora de R$ 30 milhões nas contas da telefônica feita no início de outubro – por descumprimento de uma ordem judicial – e uma condenação em primeira instância ao pagamento de uma indenização de R$ 14 milhões. A Vivo tenta provar nos processos que já desinstalou o programa, mas enfrentará agora uma outra ação de execução que pede o pagamento de mais R$ 23 milhões por ainda usar o software ilegalmente, segundo a alegação do advogado Hugo Orrico, que defende a Four J’S.

A multa já executada de R$ 30 milhões foi mantida pela Justiça paulista de primeira instância no início de outubro. Segundo a decisão do juiz Ricardo José Rizkallah, a empresa não tomou as providências determinadas e a multa foi fixada e não paga por mais de três meses. “Não há nenhuma razão para a mudança da multa, até porque se examinado com bastante atenção o contrato, verificar-se-á que as cifras eram mesmo exorbitantes, deve ela ser mantida”, disse o juiz na ordem de execução da penhora. “Ao invés de a executada alegar enriquecimento ilícito, por que então tentou obstar a realização da constatação e desinstalação do programa?”.

Já na sentença que condenou a Vivo ao pagamento de indenização de R$ 14 milhões, proferida em meados de setembro, o juiz Rizkallah disse que a empresa de telefonia celular não juntou aos autos prova documental comprovando que passou a utilizar novos programas. A empresa apresentou apenas testemunhas que, segundo o juízo, devem ser vistas com reservas, já que são funcionários da companhia. O resultado é que o juiz determinou o pagamento de uma indenização que, segundo ele, corresponde ao valor do contrato de software. A Vivo se defendeu no processo, entretanto, alegando que o valor firmado com a Four J’S era muito inferior.

O advogado da Four J’S, Hugo Orrico, diz que o acordo firmado entre as duas companhias previa um prazo de utilização provisório do software, de um ano, e que isso custaria R$ 2 milhões à Vivo, mas que o contrato para uso por tempo indeterminado do software corresponderia a R$ 14 milhões. O juiz entendeu que todos os documentos acrescentados aos autos revelam que o valor da licença seria o alegado pela Four J’S. O juiz baseou sua decisão em duas perícias judiciais feita na empresa.

O embate ainda continua na primeira instância da Justiça, pois a Vivo entrou com um pedido de explicações sobre a sentença, recurso denominado embargos de declaração. Somente depois da análise desse recurso é que começa a contar o prazo para recorrer em segunda instância. As duas partes podem recorrer: a Vivo, para tentar derrubar a decisão, e a Four J’S, para aumentar o valor da multa. Isso porque os advogados da francesa pedem a aplicação da lei de direitos autorais, que prevê uma multa de três mil vezes o valor da obra. Ainda há na Justiça brasileira uma discussão sobre o uso desta lei em direito sobre a propriedade de software. A Convenção de Berna, por exemplo, qualificou o programa de computador como obra literária, sujeita a proteção internacional, assegurada a proteção legal de seus titulares. Mesmo reconhecendo a convenção, o juiz entendeu que não foi comprovada a reprodução ou edição do programa de computador pela Vivo. “Razão pela qual não restou configurada a figura da edição fraudulenta, o que impossibilita a aplicação da sanção”, disse o juiz em sua decisão.

Procurada pelo Valor, a Vivo informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não iria se pronunciar sobre o processo.