Fair value

Junho 4, 2008 by cesartiburcio

‘Fair value’ storm makes banks spell out stance

Jennifer Hughes & Gillian Tett - Financial Times - 30 May 2008 - Asia Ed1 - 15

A group of leading banks has clarified its position regarding “fair value” - or mark-to-market accounting - after its proposals to alter the rules caused a storm among its members and provoked criticism by leading regulators.

Under fair value, most financial instruments are recorded at their current market price and values are adjusted as markets fluctuate.

As a result of the market turmoil flowing from the subprime crisis, the values of many structured products have plummeted.

That forces many financial institutions into multi-billion-dollar writedowns that have weakened their capital bases and forced them to seek fresh funding.

In a paper written last month and seen by the Financial Times, the Institute of International Finance, which has 300 banks among its members, proposed to relax some of the classifications for financial instruments and to ease the rules in times of financial stress. It claimed that taking prices in illiquid markets “results in valuations that do not provide a true picture of the financial positions of firms”.

This week, it said: “There is a view that [to apply] new techniques, or greater flexibility, in current circumstances would be fraught with difficulties.”

The Financial Times’ reporting of the original paper last week prompted Goldman Sachs to threaten to leave the IIF, calling the proposals “Alice in Wonderland” accounting.

There is growing recognition by regulators that the introduction of fair value accounting on a wide scale has changed the dynamics of how the financial system responds to crises.

“This has been a big structural change,” says a senior regulator.

But while some recognise potential disadvantages, they stress there have also been benefits and there is reluctance to endorse suggestions that the change should rapidly be reversed.

Malcolm Knight, head of the BIS, says: “In my opinion, while fair value accounting can lead to over-depreciating assets in distressed market conditions, it has the advantage of focusing everyone’s mind on the impact of the deleveraging process on asset values.”

Bear Stearns 2

Junho 4, 2008 by cesartiburcio

Venda da Bear foi fechada em 48 horas

2460 words

2 June 2008

Valor Econômico

Portuguese

Havia sido um dia difícil, mas quando Alan Schwartz se dirigia para casa na sexta-feira, 14 de março, o diretor-presidente da Bear Stearns pensava que teria um mês para encontrar um comprador para sua firma.Um empréstimo organizado rapidamente e garantido pelo governo dos Estados Unidos por até 28 dias, havia permitido à corretora abrir suas portas naquela manhã. Mas sua ação continuava caindo, seus clientes continuavam indo embora e seus parceiros de negócios continuavam desaparecendo. Estava óbvio para o secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson Jr. que a Bear Stearns não sobreviveria ao fim de semana. Era hora de uma conversa difícil.Schwartz estava no banco de trás de um automóvel que o levava de Manhattan para Greenwich, Connecticut, quando recebeu uma ligação de Paulson e do presidente do Federal Reserve de Nova York, Timothy Geithner. “Você precisa fechar um negócio até a noite de domingo”, disse Paulson, um experiente ex-executivo de Wall Street. Schwartz ficou aturdido.

Agora, com o mercado chocado com os problemas da Bear Stearns e o preço de sua ação totalmente destruído, ele teria que encontrar a melhor oferta ao seu alcance para evitar a falência em 48 horas.O telefonema para Schwartz coroou uma semana atribulada - e pressagiou outros dez dias de caos. Entrevistas com mais de duas dúzias de executivos e outros envolvidos diretamente na medida, mostram que a Bear Stearns esteve à beira da morte duas vezes. Depois que a firma concordou em se vender para o JP Morgan Chase por meros US$ 2 a ação, o resgate coordenado e financiado pelo Fed quase colapsou por causa de uma única frase colocada no acordo. A certa altura, o JP Morgan ameaçou retirar o financiamento que havia prometido à Bear Stearns. Em troca, executivos da Bear Stearns pensaram em processar o JP Morgan e a firma quase foi forçada a liquidar seus ativos. Finalmente, a Bear Stearns concordou com o preço de aproximadamente US$ 10 por ação. O negócio foi aprovado pelos acionistas na última quinta-feira.Quando Schwartz enfrentou os investidores em uma conferência telefônica em 14 de março, ele havia estado na sede da firma por mais de 24 tensas horas.Na conferência, Schwartz disse que embora o caixa tivesse se “deteriorado”, o financiamento do Fed, conduzido pelo JP Morgan, permitiria à firma “retomar normalmente os negócios”.Na verdade, equipes do JP Morgan e da J.C. Flowers & Co., empresa especializada em aquisições alavancadas, já estavam na sede da Bear Stearns na Madison Avenue, analisando sua contabilidade.Estava aparente, de uma maneira dolorosa, que nem as iniciativas do Fed, nem as afirmações tranqüilizadoras de Schwartz estavam tendo o efeito desejado. O resgate era visto como um sinal de fraqueza, em vez de esperança.No fim do dia, quase 190 milhões de ações da Bear Stearns haviam mudado de mãos - 17 vezes mais que a média diária - e o preço havia caído 47% a US$ 30 a ação.O diretor financeiro da Bear Stearns, Samuel Molinaro Jr., havia parado em um posto de gasolina no caminho para casa, em New Canaan, Connecticut, quando Schwartz telefonou naquela noite de sexta-feira com as más notícias.Paulson e Geithner queriam fechar acordo para vender a Bear Stearns até a noite de domingo, quando os mercados asiáticos entram em operação. “Você deve estar brincando”, disse Molinaro. “Pensei que tínhamos 28 dias.” “Eu também”, respondeu Schwartz. “Mas agora temos que fechar uma acordo neste fim de semana.” Às 8h do dia seguinte, os dois estavam de volta à Bear Stearns para encontrar executivos do JP Morgan.Antes, naquela tarde de sexta-feira, a Flowers havia apresentado uma proposta tentadora: ela compraria 90% da companhia por US$ 3 bilhões em dinheiro. Mas o negócio dependia da Flowers formar um consórcio de bancos para obter US$ 20 bilhões para o financiamento das operações normais da Bear Stearns.Horas depois, o JP Morgan disse que estava disposto a pagar entre US$ 8 e US$ 12 por ação por 19,9% da Bear Stearns. Isso avaliaria a companhia em algo entre US$ 944 milhões e US$ 1,4 bilhão.Na manhã do domingo, o JP Morgan enviou à Bear Stearns esboço de um plano de fusão com o preço da ação deixado em branco.Pouco depois das 8h, Schwartz reuniu cerca de 50 funcionários da Bear Stearns que estavam no prédio para ajudar os pretendentes na análise dos registros financeiros da firma. A Flowers estava tendo dificuldades para conseguir os recursos necessários para a operação da companhia. Ele sabia que a proposta do JP Morgan provavelmente seria a vencedora e queria administrar as expectativas em relação ao preço. “Temos um acordo”, disse ele ao grupo, “mas vocês não vão gostar dele.”Então, por volta das 10h, o JP Morgan subitamente retirou sua proposta. Comprar a corretora depois de uma breve análise era simplesmente arriscado demais, disse o banco a Gary Parr, o banqueiro de investimento que representava a Bear Stearns.O banco havia ficado com medo depois que seus diretores seniores retornaram à Park Avenue após a avaliação da contabilidade da Bear Stearns. Além de perder clientes, a firma estava enfrentando uma série de processos por causa do colapso de dois fundos de hedge seus no verão anterior, e seu grande portfólio hipotecário havia ficado muito exposto a novos problemas no mercado imobiliário. Um acordo com a Flowers não parecia mais provável. Por volta do meio dia de domingo, a firma de buyout sabia que seria impossível levantar US$ 20 bilhões com a rapidez necessária.Mas não demorou e o JP Morgan estava de volta, sugerindo o preço de US$ 4 por ação. Sob o plano, o Federal Reserve assumiria as responsabilidade por US$ 30 bilhões em títulos que a Bear Stearns tinha em carteira e que estavam tendo muita dificuldade para serem negociados, e com potencial tanto de ganhos como de perdas.Os diretores da Bear Stearns estavam ficando irritados. Como é que o preço podia passar de US$ 8 para US$ 4 em poucas horas? O presidente do conselho de administração, James Cayne - ele próprio um grande acionista, que foi diretor-presidente da firma por 14 anos até ser forçado a sair em janeiro - estava irado. “Vamos jogar a carta da falência”, disse ao grupo enquanto este discutia a proposta em uma sala de reuniões no alto do prédio da Madison Avenue.Uma grande equipe da firma de advocacia Cadwalader, Wickersham & Thaft já estava no prédio, preparando-se para um possível pedido de concordata, que tecnicamente daria à Bear Stearns tempo para resolver seus problemas com os credores. Mas a opção não seria prática: sob as mudanças feitas em 2005 no código de falências e concordatas, as autoridades reguladoras assumiriam o controle das contas dos clientes, deixando a firma com poucos negócios, ou nenhum. Muitas das operações pendentes da Bear Stearns em investimentos conhecidos como derivativos, que são atrelados a ativos como ações e bônus, poderiam ser penhoradas pelos credores.Ao longo do fim de semana, Geithner do Fed havia consultado Paulson, um ex-banqueiro de investimento que havia comandado o Goldman Sachs por sete anos antes de se tornar secretário do Tesouro dos EUA. Depois de uma conversa na tarde de domingo, eles decidiram que Paulson iria ligar para James Dimon, o diretor-presidente do JP Morgan.Ele encontrou Dimon, que colocou o telefone em viva-voz em sua sala no prédio da Park Avenue. O banco estava pensando num preço de US$ 4 a US$ 5 por ação. “Isso me parece alto”, disse Paulson. “Eu acho que o negócio deveria ser feito a um preço baixo.”Em razão do envolvimento sem precedentes do governo no resgate de uma instituição financeira com problemas, o secretário do Tesouro estava alerta para não parecer que estava ajudando investidores da bolsa quando famílias estavam perdendo suas casas em meio a um número recorde de execução de hipotecas. Ele também estava preocupado com “o risco moral”, o perigo de que um preço muito generoso viesse a encorajar comportamentos arriscados no futuro.No meio da tarde, enquanto os diretores da Bear Stearns discutiam esses problemas, Parr recebeu telefonema de Doug Braunstein, diretor da área de banco de investimento do JP Morgan. “O número é US$ 2″, disse Braunstein.”Você está brincando!”, respondeu Parr. Após anos prestando consultoria a empresas, ele não mais reagia mal a notícias ruins em negociações de acordos, mas sabia que o preço revisto seria muito difícil de ser engolido por seus clientes, quando voltou à sala de reuniões. “Preciso interromper vocês porque o JP Morgan atualizou o preço”, disse ele aos diretores da Bear Stearns, repassando o que lhe havia sido informado. Os diretores ficaram chocados. Cayne disse que não aprovaria de jeito nenhum um negócio por US$ 2.Schwartz não queria se opor ao Tesouro e ao Fed. Ele também sabia que como diretor-presidente de uma companhia constituída em Delaware, estava obrigado pela lei a considerar os interesses dos credores sobre os dos acionistas, se sua companhia ficasse insolvente. Além disso, ele tinha que pensar nos funcionários e não queria que estes tivessem os salários cancelados abruptamente e encontrassem os escritórios lacrados na manhã seguinte.”Dois dólares é melhor que nada”, disse ele aos diretores. Ele passou 30 minutos defendendo sua posição. Um preço de US$ 2 e o direito dos acionistas votarem, explicou ele, era melhor do que um preço zero e um pedido de concordata. Ele também alertou para as conseqüências enormes que uma concordata teria sobre os mercados mundiais - um cenário pelo qual os diretores da Bear Stearns certamente não iriam querer ser responsabilizados.Schwartz correu os olhos pela sala, mirando cada um dos membros do conselho. “Alguém se opõe?”, perguntou. Ninguém disse nada. Por volta das 18h30, o negócio foi unanimemente aprovado. Os consultores da Bear Stearns notificaram o JP Morgan, que agendou uma conferência telefônica com investidores às 20h para discutir o negócio.Exausto e humilhado, o diretor-presidente da Bear Stearns decidiu não participar.Às 19h, quando o site do “The Wall Street Journal” divulgou o preço de US$ 2, as instituições financeiras concorrentes ficaram chocadas.Tarde da noite naquele domingo, enquanto advogados se apressavam para finalizar o acordo de fusão, executivos do Fed de Nova York convocaram uma teleconferência com diretores-presidentes das instituições financeiras de Wall Street. Geithner e Dimon começaram falando com algumas observações curtas, notando que o JP Morgan iria garantir as dívidas da Bear Stearns e que se o acordo não tivesse sido feito, o impacto sobre os mercado poderia ter sido catastrófico. Durante a sessão de perguntas e respostas, o novo diretor-presidente do Citigroup, Vikram Pandit, se pronunciou.Pandit - que inicialmente não se identificou - fez uma pergunta astuta mas técnica: Como a compra iria afetar os riscos para os parceiros de negócios da Bear Stearns em certos contratos de longo prazo?A pergunta irritou Dimon. “Quem está falando?”, cortou ele. Pandit se identificou como “Vikram”. Ofendido por Pandit estar desperdiçando tempo com o que considerou perguntas grosseiras, Dimon disparou: “Não seja idiota”. Ele acrescentou que o Citigroup “deveria nos agradecer” por estarmos impedindo um caos maior em Wall Street. Nas horas seguintes, Dimon teria um motivo maior para se irritar. O negócio apressado tinha uma brecha que poderia dar a investidores furiosos da Bear Stearns uma grande oportunidade para tentar conseguir um preço maior: o JP Morgan havia prometido financiar os negócios da Bear Stearns por um ano - mesmo que o acordo fracassasse.Era o começo de outra longa semana. Na terça-feira de manhã, advogados do JP Morgan discutiam com seus colegas da Bear Stearns a garantia de um ano. A participação de 19,9% que o JP Morgan estava comprando na Bear Stearns não era suficiente para garantir que o acordo seria levado a cabo. O banco queria uma fatia maior e correção na garantia.Os acionistas insatisfeitos estavam se transformando em uma ameaça real. O administrador de recursos Bruce Sherman, o quarto maior acionista da Bear Stearns com pouco menos de 5% das ações, e o bilionário britânico Joe Lewis, o maior investidor individual da firma, com 6,9% das ações, haviam manifestado sua indignação naquela semana.Na manhã de quinta-feira, H. Rodgin Cohen - o especialista em legislação bancária da firma de advocacia Sullivan & Cromwell que estava aconselhando o conselho da Bear Stearns - fazia exercícios em uma esteira mecânica em casa, quando recebeu um telefonema de um executivo do JP Morgan. Ele queria uma garantia de que a Bear Stearns concordaria com a transferência de 51% de suas ações para o JP Morgan, como parte do negócio. Daquele modo, eles controlariam votos suficientes para aprovar o negócio sem precisar convencer os investidores insatisfeitos. As cortes de justiça de Delaware não gostam quando um comprador está para receber mais de 40% do capital de uma empresa. Para garantir a aprovação na justiça, o JP Morgan teria que optar por algo menor, conforme é o padrão, e depois convencer outros investidores a votarem a favor do negócio.Na manhã do domingo de Páscoa, Schwartz telefonou para Dimon. “Há um limite psicológico aí”, disse ele. Os diretores da Bear Stearns precisavam de um preço de venda de dois dígitos para se sentirem confortáveis. “Não me venha com US$ 9,99″, alertou ele a Dimon.Antes da abertura dos mercados na manhã seguinte, o JP Morgan fez uma contraproposta final: cerca de US$ 10 por ação, avaliando a corretora em US$ 1,2 bilhão, por 39,5% do seu capital. Para tornar a oferta palatável ao Fed, o JP Morgan assumiu a responsabilidade sobre o primeiro US$ 1 bilhão em perdas potenciais, reduzindo a exposição do governo para US$ 29 bilhões.O negócio foi aprovado, os mercados abriram tranqüilamente e a maioria dos investidores permaneceu feliz, sem perceber as turbulências da semana. Ainda assim, para a Bear Stearns, o governo federal e o JP Morgan, foi um desfecho insatisfatório.Os investidores da Bear Stearns “engoliram o sapo”, de uma maneira menos dolorosa que a vislumbrada por Paulson. O Fed conseguiu estabilizar os mercados, mas colocando em risco dezenas de bilhões de dólares e estabelecendo um precedente desconfortável. E o JP Morgan ficou com os clientes, os funcionários talentosos de Bear Stearns e um novo prédio por uma pechincha. Mas agora ele está com obrigações de pelo menos US$ 9 bilhões e a tarefa de integrar duas culturas corporativas muito diferentes.O índice Dow Jones não caiu 2.000 pontos, outras corretoras de valores não quebraram e o sistema financeiro mundial não entrou em colapso - embora tenha respirado com dificuldade. Quanto aos riscos, o moral e outros, que espreitam o futuro, eles terão que tomar conta de si mesmos.

Bear Stearns 1

Junho 4, 2008 by cesartiburcio

Sangria de 72 horas derrubou reputação erguida em 85 anos

Valor Econômico – 30/5/2008

Os 40 executivos mais importantes da Bear Stearns que estavam ouvindo Alan Schwartz na hora do almoço do dia 13 de março haviam passado a manhã daquele dia observando o preço da ação da companhia despencar. Os rumores em Wall Street eram de que a Bear Stearns estava precisando de dinheiro.O diretor-presidente garantiu calmamente aos seus subordinados que o Bear Stearns conseguiria suportar a tempestade. “Isso”, disse ele “é muito barulho.”Na platéia, Michael Minikes não estava tão convencido. O veterano de 65 anos da Bear Stearns havia passado grande parte daquela semana atendendo ligações telefônicas de clientes preocupados. Alguns já haviam sacado grandes somas de suas contas na Bear Stearns.”Você tem algum idéia do que está acontecendo?”, perguntou Minikes, interrompendo seu chefe. “Nosso dinheiro está voando pela porta.

Nossos clientes estão nos deixando.”Foi o começo de 72 horas frenéticas que colocariam a instituição financeira de Wall Street de joelhos e ameaçariam a estabilidade do sistema financeiro mundial. Entrevistas com mais de duas dezenas de atuais e ex-executivos, diretores, operadores e outros funcionários da Bear Stearns mostram a rapidez com que a companhia, que levou 85 anos para ser construída, se desfez. Ontem, acionistas da Bear Stearns aprovaram a venda do banco, na bacia das almas, para o J.P. Morgan Chase & Co., que está pagando US$ 10 por uma ação que há alguns meses valia mais de dez vezes isso.No fim daquela quinta-feira, tantos clientes haviam sacado seu dinheiro da Bear Stearns que a firma teve que recorrer a reservas de caixa de US$ 15 bilhões. A queda súbita da corretora foi um lembrete perfeito da fragilidade e ferocidade de um sistema financeiro erguido em grande parte sobre a confiança. Bilhões de dólares em títulos são negociados todos os dias com nada mais que um acordo implícito de que os parceiros nos negócios os pagarão quando solicitados. Quando os investidores começaram a achar que a Bear Stearns não conseguiria liquidar seus negócios com os clientes, essa confiança acabou num segundo.Os parceiros de negócios, ávidos por evitar perdas, começaram a desaparecer com a mesma rapidez. Isso alimentou ainda mais os rumores de que a companhia estava com problemas. Alguns parceiros, vislumbrando uma oportunidade de lucros, fizeram apostas contra a Bear Stearns, ajudando a acelerar seu fim. Autoridades começaram a investigar se estava havendo um esforço coordenado para alimentar os rumores negativos por aqueles que estavam apostando na queda da Bear Stearns.

Março havia começado com tranqüilidade para Schwartz. Ela havia passado meses lidando com a fúria dos funcionários por causa da maneira como a Bear Stearns vinha procedendo na crise de crédito. Mas ele estava encorajado pela maneira como os lucros do primeiro trimestre estavam se desenhando: números preliminares indicavam que a firma havia obtido um lucro por ação de mais de US$ 1.Schwartz estava convencido de que os investidores irrequietos se acalmariam quando os resultados fossem anunciados no fim do mês.Na quinta-feira, 6 de março, com as ações da Bear Stearns caindo abaixo dos US$ 70 (elas haviam chegado a US$ 131,58 em outubro), Schwartz sentiu-se confortável o suficiente para prosseguir com o plano de falar naquela noite sobre a indústria das telecomunicações para o conselho da Verizon Communications, um de seus principais clientes, no luxuoso Breakers Hotel de Palm Beach, na Flórida.O primeiro dia da conferência apresentou uma série de más notícias. Primeiro, a agência de classificação de risco Moody’s Investors Service rebaixou uma série de títulos lastreados em hipotecas emitidos por uma subsidiária da Bear Stearns, num reflexo dos temores de que os financiamentos imobiliários que garantiam esses títulos apresentavam um risco maior de calote da parte de seus tomadores.

Uma boa medida do quanto Wall Street começou a ficar pessimista com a Bear Stearns naquela segunda-feira, foi o custo de certos contratos provados financeiros conhecidos como swaps de default de crédito, um mercado grande e pouco regulamentado em que uma parte, mediante um preço, assume os riscos de um bônus ou empréstimo se dar mal.Na sexta-feira, 7 de março, o custo anual de um contrato de cinco anos para proteção contra default sobre US$ 10 milhões em dívidas da Bear Stearns subiu para US$ 458 mil - uma soma muito maior que a que estava sendo paga pelos investidores como seguro contra não-pagamentos da parte de concorrentes, como a Lehman Brothers Holdings e o Goldman Sachs Group.Na segunda-feira, o custo daquele contrato havia saltado para US$ 626 mil. Os fundos e outros investidores estavam apostando que a Bear Stearns poderia ficar sem dinheiro.

Na sede da Bear Stearns, na Madison Avenue, executivos corriam para apagar a fogueira. O diretor financeiro, Samuel Molinaro Jr., e sua equipe começaram a telefonar para parceiros de negócios para investigar e abafar os rumores. Os executivos enfatizavam que a Bear Stearns tinha bastante caixa - cerca de US$ 18 bilhões - com o qual trabalhar, o que garantiria o pagamento dos credores e a liquidação de contratos.Em Palm Beach, Schwartz estava preocupado com o caos que havia se instalado em casa. Enquanto ele e Robert Iger, diretor-presidente da Walt Disney Co., se preparavam para a sessão do dia seguinte, Schwartz foi interrompido repetidas vezes por visitas de colegas e chamadas telefônicas de Manhattan, em busca de conselhos sobre como combater os rumores crescentes. Mas Schwartz estava amarrado: se deixasse a conferência rapidamente, demonstraria pânico para clientes importantes como Iger e a CBS Corp. e seu diretor-presidente, Leslie Moonves. E mesmo que tomasse um avião de volta para Nova York, Schwartz sentia que haveria pouca coisa a fazer.

Mais tarde naquele dia, a Bear Stearns emitiu um comunicado que mencionava Schwartz afirmando que “o patrimônio líquido, a liquidez e o capital da companhia permanecem fortes”.Isso não ajudou muito. Antes do fim da terça-feira, dia 11 de março, o ING Groep disse à Bear Stearns que estava retirando cerca de US$ 500 milhões em financiamentos. Funcionários do banco holandês disseram que a administração do ING queria manter distância até que a poeira baixasse.

No transcorrer do dia, boatos afetaram a concentração do operadores da Bear Stearns, que começaram a temer por seus empregos e suas poupanças. Alguns tinham grandes parcelas de seu patrimônio pessoal amarradas às ações da firma - cerca de metade de suas bonificações anuais, que compreendiam a maior parte de suas remunerações anuais e levam vários anos para serem exercidas.

No meio da tarde, Bruce Lisman, o normalmente taciturno presidente adjunto de 61 anos da divisão de ações da Bear Stearns, subiu sobre uma mesa perto de sua sala no quarto andar e pediu a atenção dos operadores: “Vamos continuar concentrados”, disse, em voz alta. “Continuem trabalhando com afinco. A Bear Stearns existe há muito tempo e vamos continuar existindo. Se houver alguma novidade, eu aviso vocês assim que eu tomar conhecimento.”

Em meio às turbulências, Alan “Ace” Greenberg, 80, ex-presidente da Bear Stearns, tentou aliviar a tensão. Usando sua tradicional gravata borboleta, Greenberg, que ainda opera no mercado, fez truques de mágica para distrair os colegas. Mediante pedidos destes, ele também repetiu uma cena que faz parte da tradição da companhia: fez uma imitação de uma tacada de golfe na sala da mesa de operações, assim como havia feito na segunda-feira negra de 1987, quando houve o crash dos mercados de ações globais. Greenberg, que não joga golfe, fez como se tivesse ganhado um jogo e anunciou em voz alta que iria tirar o dia seguinte de folga.

Mas não havia nada que pudesse aliviar a ansiedade de clientes e parceiros de negócios preocupados com o que poderia acontecer se seu dinheiro ficasse preso em uma companhia que estava quebrando. Fundos de hedge encheram a corretora de valores do Crédit Suisse Group com pedidos de confirmação de negócios contra a Bear Stearns. Num e-mail explosivo enviado naquela tarde, operadores de ações e bônus do Crédit Suisse foram informados de que todos aqueles pedidos de mudança de compromisso envolvendo o Bear Stearns, e quaisquer outras “exceções” aos negócios normais, exigiriam a aprovação dos gerentes de risco de crédito.

Uma versão distorcida daquela diretiva chegou a operadores de outras firmas, que começaram a dizer a associados que o memorando interno do Crédit Suisse havia alertado seus operadores para que não se envolvessem em quaisquer transações com o Bear Stearns.Os executivos acreditavam que seria necessária outra declaração pública da Bear Stearns. Acertos foram feitos para que Schwartz aparecesse, da Flórida, em uma transmissão da rede de televisão CNBC.

Na quarta-feira, minutos depois das 9h, Schwartz disse ao público do canal de TV a cabo que “algumas pessoas especulam que a Bear Stearns pode estar tendo problemas… uma vez que somos um participante significativo dos negócios hipotecários. Mas nenhum desses rumores é verdade”.Mas antes que ele pudesse expor seus pontos de vista, que incluíam mencionar as vigorosas reservas de caixa da firma e indicar aos investidores que a Bear Stearns teria um primeiro trimestre lucrativo, Schwartz foi interrompido por noticias que chegavam de Nova York: o governador Eliot Spitzer estava renunciando por causa de sua ligação com prostitutas. Schwartz ficou consternado, mas teve a oportunidade de fazer suas observações antes do anúncio da informação ao público. Mas clientes preferenciais de corretagem continuaram sacando seu dinheiro.

De volta a Nova York, o diretor-presidente reuniu executivos seniores para discutir como salvar a firma. Gary Parr, banqueiro de investimento do Lazard Ltd que já havia feito alguns trabalhos para a Bear Stearns, foi convocado.

Schwartz chamou H. Rodgin Cohen, presidente do conselho de administração da firma de advocadia Sullivan & Crownwell. A Bear Stearns ainda não havia registrado retiradas de dinheiro desastrosas, mas Schwartz disse que não sabia o que o dia seguinte traria. “Vou chamar o Fed”, respondeu Cohen.

Por volta das 10h45, Cohen ligou para Timothy Geithner, presidente do Federal Reserve de Nova York. Ele exortou a autoridade monetária a acelerar um programa especial de empréstimos a bancos de investimento que deveria ter início em 27 de março, e a usar seu poder para emprestar dinheiro diretamente aos bancos de investimento, que não são regulados pelo Fed.

Esta última iniciativa permitiria à Bear Stearns usar seu inventário de hipotecas e títulos garantidos por elas como garantia a empréstimos feitos pela janela de desconto do Fed, que normalmente era reservada para empréstimos de curto prazo a bancos comerciais. O acesso a esse dinheiro garantiria à Bear Stearns pagar seus credores e parceiros de negócios.

“Acho que estou no mercado há muito tempo para perceber quando um problema é grave, e este parece ser um”, disse Cohen a Geithner. Ele respondeu: “Se ele está preocupado, Alan [Schwartz] precisa me ligar”. No início da manhã de quinta-feira, Schwartz ligou para Geithner para mantê-lo a par da situação. Mas ele não pediu ajuda imediata, afirmando que esperava conseguir financiamentos de prazos mais longos empregando outros meios.

Um pouco antes das 12h30, executivos da Bear Stearns começaram a se reunir no 12º andar para um almoço semanal para discutir questões de mercado. Schwartz começou a falar por volta das 12h45.

Suas tentativas de tranqüilizar a todos foram interrompidas por Minikes, que se queixou que a firma estava perdendo dinheiro e clientes. Muitos na Bear Stearns passaram aquela tarde paralisados, enquanto os boatos se espalhavam.Por volta das 19h, alguns dos principais executivos da Bear Stearns reuniram-se na sala de reuniões de Molinaro, no 6º andar da sede do banco. O diretor financeiro de 50 anos havia entrado para a firma em 1986 como contador e agora enfrentava o fim da empresa. “Quais são minhas opções?”, perguntou Molinaro a Robert Upton, tesoureiro da Bear Stearns.Upton desfiou os danos a partir de números rabiscados numa caderneta amarela: desde a sexta-feira anterior a firma havia quase exaurido suas reservas de caixa de US$ 18,3 bilhões, deixando-a com US$ 5,9 bilhões. Mas ela ainda devia US$ 2,4 bilhões ao Citigroup. Molinaro afundou a cabeça nas mãos. Schwartz ficou pálido e deixou a sala abruptamente.

A poucas quadras dali, na East 48th Street. Jamie Dimon, o diretor-presidente do JP Morgan Chase, comemorava seu aniversário com a família no restaurante grego Avra, quando seu celular tocou. Era Gary Parr, o banqueiro do Lazard representando a Bear Stearns. Ele perguntou se Dimon poderia conversar com Schwartz. Pouco depois, Schwartz ligou. “Vamos fazer alguma coisa”, disse ela a Dimon, que àquela altura já havia saído do restaurante. Dimon não via porque fazer um negócio naquela noite, mas concordou em tentar ajudar.

Schwartz preparou uma reunião de emergência do conselho de administração naquela noite de quinta-feira, para colocar os diretores a par da situação. Era tarde, de modo que a maioria deles telefonou. James Cayne, que havia permanecido como presidente do conselho depois de deixar o cargo do diretor-presidente em 8 de janeiro, perdeu parte da discussão porque estava participando de um torneio de bridge em um hotel de Detroit.Os diretores autorizaram um pedido de concordata emergencial, mas Schwartz ainda tinha esperanças de que um resgate poderia ser acertado. Um pedido de concordata para a Bear Stearns - com suas quase 400 subsidiárias diferentes - seria muito complicado. Os executivos acreditavam que se a firma conseguisse se agüentar até a sexta-feira, eles poderiam chegar a uma solução mais sustentável para os problemas.

Por volta da meia-noite, Matt Zames, um operador sênior do JP Morgan, chegou com uma equipe para dar uma olhada na contabilidade da Bear Stearns. O grupo pareceu surpreso com sua posição financeira. “Precisamos falar com o Fed”, disse Zames. “Onde eles estão?” Funcionários da Bear Stearns os conduziram até a biblioteca legal da firma, onde funcionários do Fed de Nova York já estavam há várias horas.Às 5h da sexta-feira, Geithner convocou uma conferência telefônica com funcionários graduados do governo americano, incluindo o presidente do Fed, Ben Bernanke, e o secretário do Tesouro Henry Paulson Jr., para discutir as conseqüências de um colapso da corretora. Eles viram ondas de choque se espalhando para milhares de firmas em todas as partes do mundo, que envolveriam trilhões de dólares e levaria dias para serem contidas. Com mais de uma hora de reunião, Geithner alertou que o tempo estava se esgotando. Alguns mercados de crédito importantes estavam para iniciar os negócios. “O que será?”, perguntou ele.

Por volta das 6h45, funcionários da Bear Stearns receberam um e-mail de Stephen Cutler, conselheiro-geral do JP Morgan. Era o esboço de um comunicado à imprensa anunciando que o banco havia concordado em fornecer à Bear Stearns financiamentos “necessários” para até 28 dias.

O dinheiro do resgate estava vindo do Fed, que também estava arcando com o risco do empréstimo. Era a primeira vez desde a Grande Depressão que o Fed fazia um empréstimo do tipo para uma instituição que não fosse um banco. Ele iria fornecer o socorro através do JP Morgan porque, enquanto banco comercial, a instituição já tinha acesso à janela de desconto do Fed e estava sob supervisão do banco central.

Na sala de reuniões do 6º andar, onde Molinaro, Upton e outros estavam reunidos, os executivos comemoraram. Eles pensaram que teriam quatro semanas para resolver seus problemas.

Comparabilidade

Maio 26, 2008 by cesartiburcio

The Spirit of Accounting: Comparability, schmomparability

Paul B.W. Miller and Paul R. Bahnson

19 May 2008 -Accounting Today - 15 - Vol. 22, No. 9

Norwalk, Conn. — We’re not sure if we’re having another epiphany, or merely looking at the world a little bit differently, but we have some thoughts on an area of accounting practice and theory that we’d like to share with you.

Specifically, we’re looking deeper at the worthiness of comparability as a goal for financial reporting information. As we described in a recent column questioning the wisdom of merging all standard-setting authority in one body, it has been traditionally assumed that useful information helps users compare competing investment opportunities. Think of this notion of comparability as Company A and Company B balanced on a seesaw, suggesting that the investor’s decision is between buying one company’s stock or the other’s.

Although this idea has significantly shaped accounting thought for decades, we think it’s time to supplant it with something else.

TRADITIONAL COMPARABILITY

The Financial Accounting Standards Board’s Conceptual Framework includes comparability as a qualitative characteristic of useful information, and defines it as “the quality of information that enables users to identify similarities in and differences between two sets of economic phenomena.”

SFAC 2 comments on comparability with these words: “Information about an enterprise gains greatly in usefulness if it can be compared with similar information about other enterprises and with similar information about the same enterprise for some other period or some other point in time” (Par. 111). The board attributes great importance to comparability when it also says: “The difficulty in making financial comparisons among enterprises be- cause of the use of different accounting methods has been accepted for many years as the principal reason for the development of accounting standards” (Par. 112).

This connection to standard-setting is, we think, important, because history shows that the quest for comparability has been twisted to become satisfaction with uniformity, which is something quite different.

Uniformity is the condition in which everyone applies the same rules to the same transactions and events. Uniformity brings about comparability if and only if the uniformly applied rule actually produces relevant and reliable information.

For example, most everyone uses straight-line depreciation for their tangible assets. For another, most everyone accounts for non-controlling investments in subsidiaries using the equity method. For still another, everyone now accounts for stock-option expense by spreading the options’ grant-date value over the vesting period. And yet another example is the tortured set of procedures mandated by FASB for defined-benefit pension and OPEB plans.

The fact is, however, that these accounting methods do not provide relevant or reliable information that users need for predicting future cash flows from the company. As a result, usefulness and comparability do not follow from uniformly applying these principles.

So, what explains GAAP’s long-standing emphasis on uniformity? We think it appeals to managers and auditors. It’s much easier to prepare and audit information the same way as everyone else than to implement unique reporting practices that reveal more about future cash flow prospects. Because managers and auditors have long had great political influence over the standard-setting process, it doesn’t surprise us that the rules reflect their interests, and not those of users.

MODERN COMPARABILITY

Instead of presuming that users are asking, “Should we invest in Company A or Company B?” financial reporting needs to catch up to the idea that investors actually are (or should be) asking this question: “Should we invest in Company A or not?” As we see it, they’re going through the list of possible investments one company at a time, not in pairs. If so, they’re not looking at two balance sheets or income statements and converting their reported measures to the same basis, such as getting them both on FIFO, so they can be compared against each other.

Instead of balancing Company A and Company B on the seesaw, investors are really comparing their estimate of a single security’s intrinsic value with its market value.

Intrinsic value is an economic concept that represents the security’s true value. It is elusive and hard to assess because it’s always changing as the enterprise and its environment change. Economists and finance theorists often say that intrinsic value is the present value of the future cash flows discounted at the rate that most completely reflects underlying risk.

What investors are searching for is an imbalance between a security’s current intrinsic and market values. It doesn’t matter which way the imbalance tilts — a profit can be made because the capital markets will sooner or later close the gap between the two as the consensus market value converges on the intrinsic value. Depending on the direction of this momentary gap, investors decide whether to take short or long positions.

Because securities’ market values can be observed, the investor’s task is to assess intrinsic value, and that process is generally thought to be usefully accomplished when investors (and their analysts) perform a fundamental (as opposed to technical) financial analysis. This activity is the basic rationale for publishing financial reporting information.

Here is our bottom line: Modern financial analysis demands financial reports that support investors’ search for intrinsic values.

SO WHAT?

What this thought reveals to us is that traditional financial reporting practice has probably been oriented on the wrong compass. Rather than trying to force everyone to adopt the same practices, whatever those practices turn out to be, this better role for financial reporting demands that policy makers provide managers with latitude to produce statements that transparently describe their economic circumstances to best support users’ assessments of their securities’ intrinsic values.

Before anyone goes ballistic on us, we are not advocating anarchy in which anything goes. We have more aversion than most to false information in financial reports. Liars and cheats should be both shunned and prosecuted.

What we want to do is liberate honest managers from the shackles that literally force them to lie in their financial statements by, for example, reporting depreciation expense when their assets are appreciating, or R&D expense when their labs are discovering all sorts of good things.

THE FAIR VALUE OPTION

In February 2007, FASB issued SFAS 159, The Fair Value Option for Financial Assets and Financial Liabilities, which allows management the freedom to account for some or all of its financial assets and liabilities at their fair values. But this fair value method wasn’t weakened by traditional compromises. The holding gains and losses are to flow straight to the income statement, whether realized or not. This is serious accounting, and we think it ought to be applied to all assets and liabilities.

Why do we favor it? Because it provides more useful information for comparing intrinsic and market values of a company’s stock. It does so by reducing users’ reliance on their own relatively uninformed estimated fair values of a company’s assets and liabilities. It also reduces their need to roll unrealized gains and losses into reported income out of the equity section where they are awkwardly parked while waiting for irrelevant cash transactions. That cautious practice makes traditional GAAP income statements much less than fully useful.

Furthermore, value-based accounting also contributes to traditional comparability. That happens because it actually tells the truth, the whole truth, and nothing but the truth. It’s unadulterated useful information.

WILL ANYONE DO IT?

We’re hoping some chief executives and chief financial officers get the point that here is a great way to improve the quality of their financial reports by doing what other, less-enlightened managers won’t do — namely, tell the truth.

Further, they can innovate without violating GAAP because of SFAS 159, which is exactly the kind of standard that FASB needs to issue over and over again. By making innovation voluntary, the board encourages progress without compromise and without compulsion. We hope this experiment is a success and that it’s followed by many more.

Paul B. W. Miller is a professor at the University of Colorado at Colorado Springs and Paul R. Bahnson is a professor at Boise State University. The authors’ views are not necessarily those of their institutions. Reach them at paulandpaul<at>qfr.biz. (c) 2008 Accounting Today and SourceMedia, Inc. All Rights Reserved.

Brasil, país do futuro

Maio 12, 2008 by cesartiburcio

The country of the future finally arrives

With an export boom and oil finds, Brazil, the sleeping giant of South America is awakening - Tom Phillips -The Guardian, - Saturday May 10 2008

This article appeared in the Guardian on Saturday May 10 2008 on p41 of the Financial section. It was last updated at 00:12 on May 10 2008.
A young girl plays in front of a Brazilian flag in Rio de Janeiro

A young girl plays in front of a Brazilian flag in Rio de Janeiro. Photograph: Douglas Engle/AP

Sitting in his air-conditioned office in Guarantã do Norte, a remote agricultural town on the edge of the Amazon rainforest, local mayor José Humberto Macêdo looked a contented man.

Thanks largely to the global boom in commodities, this soya-growing region has been transformed into the vanguard of Brazil’s march on to the world stage. “This is going to be the new Brazil,” Macêdo beamed, explaining how ballooning commodity prices had made his region, Mato Grosso state, into a powerhouse of the Brazilian economy.

Across the country, similar optimism can now be heard among businessmen and politicians, all convinced that South America’s sleeping giant is finally waking up. Brazil has long been known as the país do futuro (country of the future). But a series of economic and political crises and 21 years of military rule somehow meant the future never quite arrived.

Now things seem to be changing. Brazil’s currency recently hit a nine-year-high against the dollar, inflation is under control and millions of Brazilians are being propelled towards a new middle class. Last week, meanwhile, Brazil was awarded “investment grade” status by the financial rating agency Standard & Poor’s, sending the country’s stocks soaring to an all-time high.

Following the announcement, Brazil’s president, Luiz Inácio Lula da Silva, said: “If we translate this into a language that the Brazilian people understand, it means that Brazil was declared a serious country, that has serious policies, that takes care of its finances with seriousness and because of this we deserve international confidence.”

From oranges and iron ore to biofuels, Brazilian exports are booming, creating a new generation of tycoons. Brazil’s millionaire club grew from 130,000 in 2006 to 190,000 last year - one of the fastest rates in the world, according to a study by the Boston Consulting Group.

“We are the biggest exporters of meat, coffee, sugar, fruit juices and the second biggest of grains,” Brazil’s agriculture minister, Reinhold Stephanes, boasted at a conference in Brasília last month.

Meanwhile, Brazil’s stockmarket, known as the Bovespa, was one of the best performing in the world last year.

Despite the world economic crisis, the Brazilian government recently raised the projected growth rate this year to 5% - lower than the other so-called BRIC nations of Russia, India and China but impressive for a developing country.

“The future has already arrived,” said David Fleischer, a political scientist at the University of Brasília. “Foreign investments coming into Brazil are very strong; inflation is more or less under control; Brazil now has more international reserves than foreign debt, and the commodities are booming.”

Not to mention the oil. A series of huge offshore discoveries by the state-owned energy company Petrobras has led many to dub the president “Sheikh Lula” and claim that Brazil may soon become a major oil producer.

In April, when Haroldo Lima, head of Brazil’s national petroleum agency, made headlines after claiming that another huge oilfield had been found off Rio’s coast, the news appeared to confirm what many Brazilians have long claimed: God is Brazilian.

Lia Valls, an economist at Rio’s Getulio Vargas Foundation, said: “We are now living a singular economic situation we have never experienced before. The international situation is very favourable to Brazil.”

In February, when the government announced that it had paid off its foreign debt, Lula boasted that Brazil had “taken an extremely important step towards transforming itself into a country taken seriously in the financial world”.

“We will transform this country, definitively, into a great economy and a great nation,” the president added.

Keen to transform itself from developing nation to world power, Brazil is also presiding over a 1,200-strong UN stabilisation force in conflict-ridden Haiti. Paulo Cordeiro, the country’s former ambassador in Port-au-Prince, said the presence of Brazilian troops was a “demonstration of Brazil … wanting more responsibility.

“I think Brazil has already reached a certain level of development in which the international community starts calling on it to act more,” he said.

“Brazil’s international leadership has grown a great deal over the last six or seven years,” said the University of Brasília’s Fleischer, citing Brazil’s involvement in the UN mission and its leadership of the emerging nations in the Doha talks. “The tendency is for this influence to keep growing.”

For analysts, much of the euphoria sweeping Brazil is down to the ability to control the inflation that plagued the country in the late 1980s and early 1990s. In 1993 inflation reached 2,490%. Today the figure stands at about 4.7%.

“I think now it is difficult to imagine a return to this,” said Valls.

Analysts are less certain, however, about the effects that a drop in commodity prices might have. Many believe this could bring a dramatic end to Brazil’s boom. Others question whether the infrastructure and education systems are strong enough to maintain the economic momentum.

Valls warned: “All this does not mean you are guaranteed economic growth. Brazil still has serious structural problems; there needs to be lots of investment in infrastructure. There are some serious pitfalls that compromise this growth: education, having a qualified workforce, health.”

Fair value 2

Abril 30, 2008 by cesartiburcio

Illiquid Markets Rock Fair Value Accounting http://www.cfo.com/article.cfm/11286607?f=rsspage

But firms should share information about their fair-value assumptions, says Fitch Ratings, and quit trying to change the rules.

Sarah Johnson
CFO.com | US

April 29, 2008

The philosophy of fair-value accounting has been put through the ringer in the first few months of 2008, as turmoil in the financial markets compelled banking executives and trade groups to question its reliability.

They claim the use of fair value for assessing financial instruments has led to volatile income statements, and the growing number of billions-dollar-plus write-downs for financial services firms. Bankers would prefer the option of being able to use both fair value and historical cost calculations — the latter of which is being phased out by accounting standard-setters in their push for the widespread use of fair value. (They do not yet require nonfinancial assets to be measured that way, however).In a report released this week, Fitch Ratings discourages the idea of allowing financial instruments to be measured using a mixed-attribute model, even in illiquid markets. Indeed, accounting rules require companies to stick to their measurement methods from the get-go; if a company decides to use mark-to-market accounting for an asset one year, it can’t backtrack and measure it using historical cost the next.

Rather than try to stop the use of fair-value accounting, firms should improve their disclosures to help investors understand the limitations of their estimates, Fitch says. Otherwise, the agency implies, “unfettered flexibility” in accounting could hamper investor confidence and infringe on the stability of capital markets.

Outside of financial services firms, there are plenty of fair-value supporters. Investors and analysts dispute bankers’ complaints about fair value; from the market’s standpoint, it actually helps them better understand the latest and truest worth of a firm’s assets and liabilities. Moreover, the rating agency contends that the worthiness of fair-value measurements comes when they provide “realistic and reliable” indicators of the net present values of a company’s future cash flows.

At the same time, Fitch acknowledges the task of fair value accounting isn’t easy. Under the rules, companies measure their assets and liabilities based on an existing market or — in the case of assets that are traded thinly, or not at all — on unobservable estimates based on what value they believe a hypothetical third party would place on those assets. During times of illiquid market conditions, the prices used as benchmarks for these inputs “may be a distorting rather than a helpful factor” when calculating fair value, according to Fitch.

The agency suggests that companies explain their reasoning behind the inputs they do use. If they have not plugged in the best observable data to come up with their assessments, they should show why their measurement choice was more appropriate.

What Fitch’s recommendations boil down to is for companies to explain their judgment calls in order to ensure fair value accounting’s success and investors’ comprehension. “When market liquidity has dried up, resulting in market prices that tell little about future cash flows of an entity that can hold onto an asset, clinging onto a strict interpretation of rules rather than exercising judgment can make a nonsense of financial reporting,” Fitch says.

Fair Value

Abril 30, 2008 by cesartiburcio

Viewpoints

Viewpoint: Fair-Value Accounting’s ‘Truth’ Is Dubious

By Alex J. Pollock

1160 words

25 April 2008

American Banker

10

Vol. 173, No. 80

English

(c) 2008 American Banker and SourceMedia, Inc. All rights reserved.

WASHINGTON — “Fair-value” accounting is obviously appropriate for you if you are a securities broker. But should everybody else in the world be accounted for as if they were securities brokers? That is hardly obvious; indeed, highly dubious.

From the proponents of this dubious proposition we constantly hear that they are only insisting on “the facts” of market prices. Of course, they admit that in many cases there is no active market, or no market at all, but then we need estimates - as is true in many other areas of accounting. They also admit that markets can be panicked and reach fire-sale prices that will be judged by later observers as irrational, but they say that, nonetheless, this is “the fact” of the market price now.

For example, Todd Davenport’s useful summary of the fair-value debates ["Fair Value: Few Fans, But Fewer Alternatives," March 24, p. 1] quotes these representative sentiments of fair value supporters:

“A lot of prices are probably not what most people would feel are fair and appropriate in normal circumstances. But that’s still what the market price is.”

“Let’s not hide from the truth.”

But what is accounting truth? It is never, and never can be, simply the facts. It is facts treated according to some theory to calculate what the theory defines as its results, for example, the defined concepts of “profit” and “capital.”

In other words, there is no such thing as accounting truth arrived at in any simple way - there are only facts (and estimates, projections, and guesses) turned into accounting results as defined by some theory.

So one can easily grant that today’s illiquid, panicked price is a fact but disagree with the theory of how this fact relates to the financial statement.

Accounting theories are like those of politics and philosophy: They are debated for years without a clear demonstration of being correct - they are like neither mathematical nor logical proofs, nor like the results of scientific experiments. This makes them intellectually intriguing (at least to some of us) and apt to inspire ardent advocacy and opposition, as well as leaving them subject to volatile fashion. For example, the Securities and Exchange Commission absolutely demanded historical cost accounting for several decades (assuming you were not a securities broker), but now the fashionable theory is fair-value accounting. How good a theory is it?

Theories may be judged (or at least argued over) on conceptual and public policy grounds. Opponents of fair value point out its many practical difficulties, such as the uncertainty of what a fair price may be when there are no trades and no real bids. But given the prevalence of estimates in accounting, this is not in principle an objection that impresses the fair-value proponents.

The important objections have to be in principle, those that clarify the conceptual and policy failings of the fair-value theory. Here are three:

* The fair-value theory inappropriately treats operating businesses, whose business is to generate net cash flows over time, as if they were securities brokers, whose business is the daily buying and selling of securities. My colleague Vince Reinhart has aptly called this the “banking view,” as opposed to the “securities view.” The banking view is quite articulately set out in detail in a recent white paper from the International Banking Federation, “Accounting for Financial Instruments Conceptual Paper.” It defines a clear, practical alternative theory.

* Fair-value accounting means that deterioration in the quality of a company’s own debt, which reduces the debt’s market price, is reported to the public as an increase in the company’s profit and capital.

Correspondingly, improvement in the company’s credit quality, resulting in its debt being more valuable, creates an accounting loss and reduction in capital. A Barron’s article recently called this “a mere accounting illusion.” It is worse than that: It is an absurdity. When an absurdity naturally follows from a theory, we have to wonder about the theory.

* Fair-value accounting has particularly perverse results when applied in the midst of a market panic, when markets are neither liquid, active, nor orderly.

What is the meaning of a “market price” when there is no market? Then prices must be estimated by projecting cash flows and applying a discount rate. Yes, but which discount rate? Fair-value accounting forces the huge uncertainty premium or panic discount rate of distressed markets into the profit and capital calculations of entities whose contracted-for cash flows may all be realized. It is not in the least clear that this makes any sense.

Consider this recent definition of “solvent” from St. Louis Federal Reserve President William Poole:

“A firm’s assets valued at normal levels of economic activity cover the firm’s liabilities, leaving a reasonable level of net worth. The firm’s capital can absorb losses occasioned by normal business risks … in my view, economic depression, hyperinflation, and financial implosion are not included.”

Fair-value proponents like to argue that “historical cost is irrelevant.” But this is not really the issue. Fixed-income assets have a principal to be repaid and interest payments in between.

If all interest and principal is going to be paid as agreed, what is the right accounting representation?

Consider a five-year bond financed with a five-year certificate of deposit to yield a spread of 2% and a net cash flow of 2% a year. Should the accounting reflect that steady cash flow, as long as the credit is good? “Of course,” says the banking view. “Of course not,” say the fair-value theorists, “we have to move around the reported profits and capital every quarter to imbed the different discount rates the market, or lack of market, is implying.”

From a public policy point of view, fair-value accounting is distinctly pro-cyclical, building market excesses of both optimism and pessimism into reported profits and capital. In the midst of a major bust, where we are now, this reinforces the downward cycle of panic.

Moreover, when fair-value accounting is dependent upon the prices of derivatives, when the cash market is not trading, it exposes the financial system to manipulation.

By purposefully driving down the price of the derivative to drive up reported losses, speculators can profit from short positions elsewhere.

Accountants may take the view, “I must follow my accounting theory, though the heavens fall,” but thoughtful government policymakers are unlikely to share the view that the fair-value accounting theory is society’s highest priority - especially since it is a pretty dubious theory.

Mr. Pollock is a resident fellow at the American Enterprise Institute. He was previously the president and chief executive officer of the Federal Home Loan Bank of Chicago.

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Guggenheim e controle 2

Abril 18, 2008 by cesartiburcio
Desfalco en el Guggenheim
IÑAKI ESTEBAN -17 April 2008 -El Diario Vasco
General
Spanish

l director general del museo, Juan Ignacio Vidarte, destituye a Roberto Cearsolo, su mano derecha y responsable financiero, tras confesar que se apropió de medio millón de euros

BILBAO. DV. El Museo Guggenheim Bilbao perdió ayer algo del brillo que le ha convertido en referente mundial. El lunar, en este caso, nada tiene que ver con el arte y sí con algo tan mundano como un desfalco en sus cuentas. El autor confeso de este agujero, que ronda el medio millón de euros, es Roberto Cearsolo, el hombre que amasaba todo el poder económico de la institución y que ocupaba el cargo de director de Administración y Finanzas hasta el pasado martes, día en que fue despedido por quien le había dado toda su confianza: el máximo responsable de la entidad, Juan Ignacio Vidarte. El dinero sustraído asciende a 486.979 euros, que Cearsolo fue transfiriendo desde el museo hasta sus cuentas privadas entre 1998 y 2005, según él mismo ha detallado en una carta dirigida a su ex jefe y fechada el pasado 9 de abril.

El Guggenheim se vio ayer obligado a sacar a la luz este escándalo, cuando todavía colea el asunto de la operación de cambio de divisas que causó unas pérdidas de seis millones de euros. Precisamente, las irregularidades del ex director financiero empezaron a aflorar a raíz de una petición de información por parte del Tribunal Vasco de Cuentas Públicas del 3 de abril, referente a una auditoría que investiga la compra de dólares.

Cearsolo, de 48 años, no acudió a trabajar en esa fecha al estar de baja desde el día anterior, y Vidarte ordenó al subdirector del área, Andoni Dobaran, que reuniese la documentación requerida, una labor que siempre había estado en manos del ex director financiero. Dobaran dio la voz de alarma al descubrir unos extraños movimientos bancarios realizados en 2005 desde la Sociedad Tenedora del museo, encargada de adquirir obras de arte y de organizar exposiciones, y denunció una supuesta distracción continuada de fondos.

Denuncia en el Juzgado

Los responsables del Guggenheim pusieron en marcha una investigación interna y el 11 de abril recibieron la carta de Cearsolo. En ella, éste reconoce el desvío de fondos de la Sociedad Inmobiliaria, creada en su día para la adquisición del solar y la construcción del edificio de Frank O. Gehry, y de la que se llevó 161.000 euros entre 1998 y 2001. También confiesa que se apropió de recursos procedentes de la Tenedora por valor de 325.000 euros, sustraídos entre 1999 y 2005. Cearsolo detalla la cantidad de cada transferencia bancaria y de cada cheque que utilizó para hacerse con el dinero. Hay sumas que alcanzan los 72.000 euros; otras, en cambio, no llegan a los 300.

En la misiva, el ex responsable de las cuentas del museo reconoce que firmó talones como si fuera la persona autorizada, alteró las cuentas de 2005 y los libros de contabilidad del mismo ejercicio, así como el extracto de un banco. Cearsolo adjuntó con la carta remitida a Vidarte un cheque de 251.000 euros a favor de la Tenedora y prometía abonar el resto en el plazo de tres meses. En el acto en el que se le comunicó su despido aportó otro talón de 36.000 euros, lo que dejaría su deuda en unos 190.000 euros.

El Guggenheim confirmó ayer que ha puesto una denuncia en el Juzgado para que se determine si los hechos son constitutivos de delito. En el texto presentado por el museo se explícita que Cearsolo asumía «de manera personal el control de costes, tesorería, realización de pagos, control de ingresos y gastos, relación con entidades de crédito, seguimiento y ejecución de cobros…» de las sociedades Tenedora e Inmobiliaria, participada la primera por el Gobierno Vasco, la Diputación de Vizcaya y el Ayuntamiento de Bilbao, y la segunda por el Ejecutivo de Vitoria y la institución foral.

El ex director financiero, que disfrutaba de un sueldo bruto anual de 68.520 euros, también tenía mano en el control de las inversiones del museo, y suya fue la decisión de comprar dólares en 2002 para adquirir obras de arte, en previsión de una subida de valor de la moneda estadounidense respecto al euro. Debido a la revalorización de la divisa europea, la operación se ha saldado con unas pérdidas millonarias que el Tribunal de Cuentas está volviendo a auditar y que provocó su petición de información.

Caso aislado

El director general del Guggenheim, Juan Ignacio Vidarte, acudió ayer a la rueda de prensa en la que se explicó el desfalco acompañado de todo su equipo directivo. En los asientos del auditorio se pudo ver también a una treintena de empleados del museo. «Pido disculpas por estos hechos, realizados por una persona en la que había puesto toda mi confianza. Y espero que este episodio se tome como un caso aislado y no empañe el trabajo del resto de la plantilla», reflexionó Vidarte.

Cearsolo entró a trabajar en el Consorcio Guggenheim, encargado de gestionar el proyecto del museo, casi en el momento de su fundación, en 1992. Desde entonces, asumió el poder financiero de la entidad, ratificado con su entrada en la plantilla en 1997, y se convirtió, en cuanto a los números, en la mano derecha del director general.

Vidarte descartó que las sustracciones tuvieran que ver con la operación de cambio de divisas, si bien matizó que la investigación está en curso y que se ha encargado una «auditoría de guerra» a la empresa Attest para clarificar la situación contable de la Tenedora y la Inmobiliaria. El Guggenheim, que en sus diez años de vida ha presumido de ser un modelo de gestión y de alcanzar una cota de autofinanciación del 75%, se ve ahora tocado por este escándalo.

Vidarte, que no se hizo responsable de lo ocurrido como superior de Cearsolo, sí admitió que faltó vigilancia financiera en estas dos sociedades instrumentales. No obstante, añadió, «ninguno de los hechos que se denuncian implican a las cuentas de la fundación, encargada de la actividad diaria del museo, que se someten anualmente a un informe de auditores externos y que, dados su volumen presupuestario y nivel de actividad, sí dispone de mecanismos de control».

Guggenheim e controle 1

Abril 18, 2008 by cesartiburcio
En el museo Guggenheim, el ladrón estaba en casa
EVA LARRAURI
17 April 2008

El País - Nacional -3 (3ª Ed. Madrid) -42

El director financiero confiesa que robó 490.000 euros

Bilbao

El máximo responsable de las cuentas del Museo Guggenheim Bilbao, Roberto Cearsolo Barrenetxea, director de Administración y Finanzas, se ha apropiado de 486.976,38 euros desde 1998, procedentes de la sociedad creada para la compra de obras de arte y de la inmobiliaria propietaria del edificio. Cearsolo reconoció la sustracción del dinero en una carta enviada al director general del Guggenheim, Juan Ignacio Vidarte, el pasado viernes. La autoinculpación llegó ocho días después de que sus colaboradores iniciaran la recopilación de documentos solicitados por el Tribunal Vasco de Cuentas Públicas (TVCP) para elaborar una auditoría.

Ayer el Museo Guggenheim presentó en el juzgado una denuncia contra Cearsolo por las irregularidades en las cuentas y procedió a su despido. Junto a la carta de inculpación, Cearsolo, mano derecha de Vidarte desde que el proyecto del Guggenheim no era más que un embrión, envió un cheque por importe de 251.900 euros y el martes hizo entrega de otros 36.000 euros.

Cearsolo presentó un certificado de baja por depresión y advirtió de que “iba para largo” un día antes de la llegada de la solicitud de documentación del TVCP para revisar las cuentas de la Sociedad Tenedora, constituida al 50% por el Gobierno vasco y la Diputación de Vizcaya exclusivamente para la adquisición de la colección de arte del Guggenheim. Entonces, Vidarte encargó al número dos del área financiera, Andoni Dobaran, la preparación de los informes. El TVCP inició la auditoría por encargo del Parlamento vasco, que acordó realizarla tras haberse descubierto en un informe anterior pérdidas de seis millones de euros en operaciones de compra de divisas entre 2002 y 2005. Dobaran detectó las irregularidades cometidas por Cearsolo, que habían pasado el control interno del museo, los informes del TVCP y las auditorías externas encargadas por el Guggenheim, la última correspondiente a las actividades de la Sociedad Tenedora en 2007, presentada a primeros de abril.

Según su propia confesión, para disponer de las cantidades realizaba transferencias bancarias o emitía cheques, falsificando la firma de la persona autorizada, el director general del Guggenheim. Cearsolo también reconoce que alteró las cuentas anuales de 2005, los libros de contabilidad y cambió un extracto de la BBK.

Cearsolo, economista de 48 años, casado y padre de dos hijos, ha estado vinculado al museo desde sus primeros pasos en 1992. El anuncio de las irregularidades causó conmoción entre sus ex compañeros. Según fuentes jurídicas, los hechos denunciados pueden constituir un delito de falsedad en documento mercantil, agravado por su carácter continuado en el tiempo, por el que corresponderían penas de entre seis meses a tres años de prisión.

Fraude e Contabilidade

Abril 16, 2008 by cesartiburcio
EUA mudam estratégia e fazem acordo com acusados de fraude
799 words
16 April 2008
00:51

Gazeta Mercantil

Portuguese
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Washington, 16 de Abril de 2008 - Em 2005, as autoridades federais concluíram que um consultor da Monsanto visitou a casa de um alto funcionário da Indonésia e, com a aprovação de um executivo sênior da empresa, entregou um envelope recheado de notas de US$ 100. O dinheiro era suborno para obter regulamentos ambientais mais brandos para as safras de algodão da Monsanto, segundo documento judicial. E teria ocultado o suborno com faturas falsas. Alguns anos antes, na era da Enron, acusações dessa natureza resultariam em indiciamento criminal. Em vez disso, a Monsanto foi autorizada a pagar US$ 1 milhão e evitar ação criminal ao entrar num acordo de monitoração com o Departamento de Justiça.

Numa importante mudança de estratégia, o Departamento de Justiça, outrora conhecido por processar grandes corporações, como o Arthur Andersen, adiou o processo de mais de 50 empresas suspeitas de má conduta nos últimos três anos. Em vez disso, muitas empresas, de boutiques a gigantes corporações, evitaram o custo e o estigma de se defenderem contra acusações criminais com os chamados acordos de processo diferido, que permitem ao governo arrecadar multas e indicar um monitor externo para impor reformas internas, sem julgamento.

Limites das leis anti-fraudes

Os processos diferidos passaram a ser a ferramenta preferida do governo Bush. Mas alguns especialistas agora se perguntam se a mudança de procedimento inspirou empresas a testar os limites das leis anti-fraudes corporativas. As empresas concordaram imediatamente com os processos diferidos, disse Vikramaditya S. Khanna, professor de direito da Universidade de Michigan que estuda sua aplicação, porque “claramente evitam uma maior dor de cabeça para elas”.

Alguns advogados sugerem que empresas podem estar dispostas a assumir mais riscos porque sabem que, se forem pegas, as chances de terem seus processos diferidos são boas. “Algumas empresas podem correr o risco” de práticas de negócios legalmente questionáveis se acreditarem que podem entrar em acordo para diferir seus processos indefinidamente, disse Khanna.

Os especialistas dizem que a tática pode ter enviado sinais errados para as corporações - a promessa, de fato, de terem um cartão para se livrarem da cadeia. A aplicação crescente de processos diferidos também sugere um roteiro que o Departamento de Justiça pode seguir nas investigações suscitadas pela crise hipotecária subprime. Os acordos de processos diferidos (DPA, na sigla em inglês) são mais controversos por causa do acordo de uma companhia de suplementos médicos para pagar US$ 52 milhões para a consultora de John Ashcroft, ex-promotor geral, como monitora externa para evitar uma ação criminal. Esse acordo suscitou inquéritos no Congresso e pedidos de diretrizes mais rigorosas.

Cooperação das empresas

Os defensores desses processos dizem que eles foram alvos de críticas duras ultimamente e desempenham um papel importante para o governo de assegurar a cooperação de uma empresa enquanto evitam o tempo, a despesa e a incerteza de um julgamento. Os acordos, dizem funcionários do governo, também evitam o tipo de condenação da companhia inteira ser vista com mais severidade como no caso da Arthur Andersen, o escritório de contabilidade fechado em 2002 depois de ser indiciado no escândalo Enron. O colapso deixou 28 mil funcionários sem trabalho.

Na audiência do Congresso, no mês passado, Ascroft defendeu os acordos, dizendo que eles evitavam “destruir corporações inteiras” nos indiciamentos criminais. “Os promotores entendem que o indiciamento de uma empresa pode ser uma sentença de morte corporativa”, disse. Paul J. McNulty, ex-promotor geral adjunto que efetivou as novas diretrizes em 2006 para investigações corporativas no Departamento de Justiça, disse que “há um equívoco fundamental com os DPA de pensar que esses processos são uma fuga para as empresas”. Com a imposição de multas e de um monitor externo, “a realidade é que o governo pode conseguir tudo o que quer, sem a dificuldade de seguir em frente com o indiciamento”, disse.

Tendência

Para Charles Intriago, ex-promotor federal em Miami, as multas pesadas, como a de US$ 65 milhões para a American Express Bank International em 2007, eram “amendoins” comparados com o estrago representado por uma condenação criminal. A empresa foi acusada de não instalar controles internos suficientes para se proteger da lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e outros problemas de informações sobre movimentação de contas.

Os acordos eram antes raros, mas a aplicação deles disparou no presente governo, com 35 acordos só no ano passado feito pelo Departamento de Justiça, disseram os advogados que acompanham a tendência. Os bancos e auditorias entraram com freqüência nesses acordos, como os recentes envolvendo o Merrill Lynch, o Bank of New York, o AmSouth Bank, a KPMG e outros. Em geral, esses acordos fazem as empresas admitirem má conduta sem contestar as acusações criminais, mas sem formalmente admitir culpa.

(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 9)(The New York Times)